Setor de máquinas pode desacelerar em 2005
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Paula Puliti<br>Agência Estado 
São Paulo Apontado com um dos motores do crescimento econômico neste ano, com aumento de quase 40% nas exportações, de 13% no nível de emprego e de 26% no faturamento até agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, o setor de máquinas e equipamentos corre o risco de desacelerar.
O recuo do dólar nos últimos meses, somado ao aumento de até 100% nos preços de alguns tipos de aço desde janeiro, já provocaram uma alta de quase 40% no valor das máquinas, reduzindo a competitividade do produto brasileiro no exterior.
Segundo cálculos do empresário Newton de Mello, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), uma máquina que no início do ano custava R$ 100 mil, o equivalente a US$ 32,250 mil, hoje vale US$ 44,250 mil. O aço, isoladamente, tem um impacto de 17% nos custos. Esse aumento representa um ônus importante para o exportador. ''O comprador que começou a negociar um contrato no início do ano não vai aceitar pagar 37% a mais pelo mesmo produto'', disse o empresário.
Nenhum dos cenários possíveis para o desenrolar desse aumento é positivo. Ou o contrato não é fechado, o fabricante perde o cliente e o País, a seriedade, ou o industrial brasileiro mantém o preço em detrimento do retorno. ''Isso pode refrear os investimentos tão necessários para a modernização do parque'', afirmou Mello. O setor de máquinas e equipamentos precisa de investimentos da ordem de R$ 6 bilhões ao ano para se modernizar e atender, ao mesmo tempo, o mercado externo e as necessidades da indústria local. O nível de utilização médio da capacidade instalada do setor é de 80%.
Uma alternativa à eventual queda das encomendas para exportações é o Modermaq, programa de financiamento de R$ 2,5 bilhões lançado pelo governo federal neste segundo semestre para estimular a modernização do parque industrial de pequenas e médias empresas. A expectativa da Abimaq é de que os projetos resultem em novas encomendas para o mercado interno. Mas a entidade diz que ainda não tem condições de estimar qual será a procura pelo programa.


