O setor de máquinas e equipamentos agrícolas espera uma recuperação de pelo menos 20% nas vendas, graças às condições da atual safra. ‘‘O aumento não será maior porque o produtor está ciente que o custo da próxima safra será alto’’, analisa o gerente de exportação Jair Fogliatto Bottega, de uma indústria de máquinas agrícolas que participou da Dinâmica Rural em Maringá durante a semana. Os fabricantes estão mais cautelosos em projetar as vendas até o final da colheita, enquanto os revendedores apostam em uma recuperação maior.
O gerente de vendas de uma concessionária de Maringá, Honório Valdivino, disse à Folha que desde o início da colheita, no meio de fevereiro, as vendas vem reagindo. ‘‘O produtor sabe que o setor de máquinas e equipamentos está segurando os preços, e tem que aproveitar a variação favorável do momento’’, diz. Ele acredita em um aumento de vendas pelo menos 20% superior ao ano passado, ‘‘que não foi ruim’’. Além da expectativa de produção e de preços, existem outros fatores que animam as concessionárias.
Segundo Valdivino, o agricultor está se profissionalizando, colocando os filhos para administrar a propriedade, e isso reflete em maiores investimentos também em máquinas e equipamentos. ‘‘A frota de tratores e colheitadeiras está sucateada, e o produtor sabe que perde dinheiro se não investir na renovação’’, analisa. A procura maior é mesmo por tratores e plantadeiras, principalmente para o plantio direto. Um trator médio hoje sai R$ 30 mil, e uma semeadeira de oito linhas por cerca de R$ 18 mil. ‘‘Vendi 18 máquinas em 10 dias, e espero melhorar até o final da colheita’’, diz Valdivino.
Os fabricantes reclamam que o produtor não sabe planejar os investimentos em máquinas e equipamentos. O empresário Alcindo Iora, de uma indústria gaúcha que estava em Maringá durante a última semana, diz que uma colheita boa agora pode estabilizar as vendas. ‘‘O problema é que o agricultor está meio arredio com a situação da economia’’, afirma. Ele e Bottega acham que o produtor tem que aprender a se programar, comprar na hora certa e projetar os investimentos no futuro. ‘‘O agricultor quer antes colher, estocar, ver o preço e começar a vender para depois investir, e corre o risco de não fazer o melhor negócio’’, diz Iora. Bottega explica que o produtor tem que pensar o quanto vai ganhar com uma máquina comprada para pagar na safra futura.Marcos NegriniÚnica saídaO gerente de vendas Honório Valdivino aposta na recuperação: ‘‘Produtor sabe que perde dinheiro se não investir’’Marcos Zanatta

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