A venda de adubos no mercado brasileiro caiu em 2005 e não há perspectiva de recuperação no ano que vem. Um cenário preocupante para um país que tem alta dependência do insumo, já que apenas 3% de seu imenso território é considerado de alta fertilidade. Os dados foram divulgados em São Paulo, durante coletiva sobre o lançamento do livro ''Raízes da Fertilidade'', do jornalista João Castanho Dias (leia mais nessa página).
Segundo estimativa dos sindicatos do segmento, a distribuição de fertilizantes no País deve fechar o ano em 19,5 milhões de toneladas, uma redução de pelo menos 14% em relação a 2004. A queda no faturamento é ainda maior, podendo chegar a 27% - o valor previsto até dezembro é de R$ 11,9 bilhões, contra R$ 16,37 bilhões no ano passado.
O presidente da Associação de Misturadores de Adubos do Brasil (AMA), George Wagner Bonifácio de Sousa, atribuiu os resultados à insuficiência de crédito e seguro rurais e à falta de uma política tributária coerente no País. Como as raízes do problema permanecem, o setor está pessimista quanto ao futuro. ''O cenário de 2006 se mostra bastante preocupante. Eu arriscaria dizer que, com uma boa sorte, a gente repete 2005. Não tem recursos, não tem ânimo, não tem infra-estrutura, não se readequou o aspecto dos financiamentos'', acusou.
A ausência de isonomia no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é um dos grandes obstáculos para o crescimento do setor, de acordo com o vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Torvaldo Antônio Marzolla Dilho. ''O Brasil é o único país do mundo em que o ICMS é estadual. Precisaríamos manter uma fábrica em cada estado brasileiro para sermos competitivos'', afirmou.
Alguns estados como Espírito Santo e São Paulo registraram aumento no consumo de fertilizantes, apontando para uma mudança - ao menos momentânea - na geografia de distribuição do insumo. Segundo o diretor executivo da Anda, Eduardo Daher, os bons resultados estão calcados nas culturas dos chamados quatro ''Cs'' - café, cana, citros e celulose.
Já grandes produtores de grãos como Goiás e Mato Grosso tiveram retração de até 33% no consumo de fertilizantes. O Paraná aparece nas estatísticas consumindo 15% a menos que em 2004. Sousa explica, contudo, que a redução é aparente, uma vez que o PR sempre exportou grande quantidade do insumo para outros estados.

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