Curitiba - O aumento da demanda, gerado pelo aquecimento da economia, está permitindo ao setor de embalagens de papel e de material plástico reajustar os preços. O segmento de embalagens de papel e papelão já elevou os preços da matéria-prima em 18% este ano. E as indústrias de material plástico já reajustaram os preços de suas tabelas em 20%.
Mesmo com o reajuste, o setor está aquecido. A Feira Sul Brasileira da Embalagem (Feipack), que termina hoje em Curitiba, demonstra a euforia do mercado. A gerente comercial da empresa de madeira e papel Dall Pell, disse que o evento superou as expectativas das empresas. Segundo ela, muitos clientes compareceram em busca de produtos e vários negócios deverão ser fechados.
De acordo com Ricardo Lacombe Trombini, diretor da Divisão de Papel Ondulado da Trombini, o setor trabalha com oferta de matéria-prima ajustada à demanda de mercado e por isso o repasse de preços foi concretizado. As indústrias estavam trabalhando com preços represados desde 2002 e os clientes entenderam a necessidade da negociação.
De acordo com Trombini, as indústrias de embalagens estão em processo de recuperação e o volume de produção deste ano cresceu 13% até agosto, atingindo o mesmo patamar de 2002. O setor trabalha com a perspectiva de crescimento de 14% a 15% até o final do ano. Trombini salientou que as indústrias estão capacitadas a trabalhar dentro da perspectiva de crescimento econômico do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% a 4% ao ano. ''Mais que isso, o equilíbrio entre oferta e demanda perde o ponto e pode haver problemas com oferta de matéria prima'', admitiu.
Para o empresário, a presença da Trombini na Feipack representa a contratação de novos negóciios porque o evento representa 30% de todo o volume de consumo do Brasil. A Trombini, com 7% do mercado nacional de embalagens identificou na Feipack um novo filão a ser explorado que é o de embalagens de hortifrutigranjeiros. ''E um segmento que tende a crescer e gerar excelentes negócios'', afirmou.
As indústrias de material plástico, por sua vez, estão lamentando a dificuldade de repasse de custos, que já foi de 54% este ano. O representante do Sindicato das Indústrias de Materiais Pláticos, Moacir Moura disse que as petroquímicas elevaram os preços das resinas termoplásticas, matéria-prima utilizada pelas indústrias de plástico, que por sua vez vem sendo repassados pela Petrobras.
Moura disse que as indústrias estão perdendo parte do reaquecimento do mercado por dificuldades no repasse de custos. Os preços das resinas termoplásticas é cotado em dólar e sofre a variação do mercado internacional. Além disso, este ano as petroquímicas brasileiras estão sendo assediadas pelas fábricas de embalagens da China, que detém 30% do mercado norte-americano.

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