A indústria eletroeletrônica começa a sentir os efeitos da recuperação econômica, com uma expansão de 26% no faturamento do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. A ocupação da capacidade chegou a 80% em março e a previsão é de que alcance os 85% em junho. Puxaram os números positivos, os segmentos de telecomunicações (39%), utilidades domésticas (30%) e informática (27%).
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Benjamim Funari Neto, disse que a queda do juro ao consumidor estimulou as vendas de utilidades domésticas, além da maior confiança do consumidor quando vê a empresa onde trabalha atendendo ao número cada vez maior de encomenda. Principalmente o setor de telecomunicações respondeu pelas contratações de 1,5 mil funcionários no primeiro trimestre. Parte dessas novas vagas ainda é temporária.
Pela primeira vez, o principal produto da pauta de exportações da indústria eletroeletrônica é o telefone celular. As vendas externas desse produto cresceram 803% no primeiro trimestre quando comparadas ao mesmo período de 1999. As exportações de celulares pularam de US$19 milhões para US$159 milhões.
As importações de componentes continuam preocupando porque já respondem por 56% dos US$2,4 bilhões gastos no primeiro trimestre. Os semicondutores representaram 50% dessas importações, os componentes para informática 35% e os componentes para telecomunicações 14%.
Funari Neto disse que hoje há no Brasil apenas dois fabricantes de semicondutores para atender à demanda crescente das indústrias de telecomunicações e informática. A Abinee vem fazendo um trabalho de estímulo à produção de componentes, mas ainda sem êxito. A Abinee estima que o faturamento do setor vai crescer 22% este ano, chegando aos R$47,2 bilhões. As exportações aumentarão 25%, somando US$4 bilhões, e as importações, US$11 bilhões, com crescimento de 12%.

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