Setor de eletro torce por retomada
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segunda-feira, 18 de julho de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

São Paulo Depois de um ano e de um primeiro semestre turbulentos, o setor de eletroeletrônicos vê perspectiva de recuperação para a segunda metade de 2016. O primeiro semestre do ano representou para o setor uma queda de 19% para os portáteis, 18,7% para a linha marrom (televisores) e de 9,8% para a linha branca (fogões, lavadoras e refrigeradores). Os números são da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) e foram apresentados na Eletrolar Show 2016 Feira de Negócios para a Indústria e o Varejo de Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos, Celulares e TI que começou ontem, em São Paulo.
Para Carlos Clur, presidente do Grupo Eletrolar e organizador da Eletrolar Show, 2015 foi "um ano atípico" por causa da forte alta do dólar, que tirou a força da indústria e das vendas de eletroeletrônicos. Os resultados da alta se refletiram no primeiro semestre do ano, mas a expectativa no segundo semestre, com o Natal e o pagamento do 13º, é que as vendas sejam retomadas. "Estamos vendo essa luz no fim do túnel e o mercado e o varejo com vontade de comprar."
Lourival Kiçula, presidente da Eletros, afirma que a boa perspectiva para o resto de 2016 se baseia na "visão de um governo um pouco mais longo". "Os números do primeiro semestre não são bons, mas os do segundo aparecem com uma expectativa mais positiva do pessoal que produz e do varejo."
O presidente da Associação não deu números, mas disse que a expectativa para o segundo semestre é que as vendas sejam melhores que as do mesmo período de 2015 para todos os segmentos de eletroeletrônicos. "O que falta é a perspectiva que começa uma movimentação de emprego, e não de desemprego. Assim a expectativa se transforma em positiva."
As fabricantes de eletroeletrônicos, por sua vez, trabalham com reestruturação da empresa e da marca, com negociações com os varejistas e com estratégias de lançamentos mais agressivas para não amargar baixas no mercado brasileiro.
Dólar
Com o dólar alto, uma empresa norte-americana de eletroeletrônicos com operações no Brasil precisou partir para a negociação com o varejo para o repasse de custos. "Como em todo processo de negociação, um lado cede um pouco, o outro cede um pouco até encontrar algo que seja satisfatório para todas as partes", comentou Eduardo Meirelles, gerente geral da Hamilton Beach no Brasil. "Agora, felizmente estamos vendo um movimento contrário (do dólar). O impacto não é imediato, mas daqui para frente nossa expectativa é que até dezembro os produtos virão com um câmbio mais favorável." No fim, os resultados da Hamilton Beach no primeiro semestre de 2016 foram iguais aos do ano anterior, porém sobre uma base muito maior de clientes.
Mas apesar de ter atingido patamares elevadíssimos, acima dos R$ 4, o valor do dólar no Brasil não foi um impeditivo para a empresa norte-americana dar continuidade à sua estratégia de crescimento no País. No Brasil desde 2013, em 2011 a marca resolveu expandir para os países emergentes e este é um dos seus principais mercados. Fora daqui, a companhia possui operações propriamente ditas apenas na China, onde possui fabricação de produtos, e no México, afirmou Anja Thomas, diretora de Marketing internacional e para a América Latina da Hamilton Beach.
Segundo o gerente geral da Hamilton Beach no Brasil, a marca está presente em todas as maiores lojas de e-commerce no País e se expandindo para lojas físicas. Para os próximos meses, deverá fechar com duas varejistas da região Sul, disse. No Brasil, a empresa tem foco em produtos inovadores como uma sanduicheira que prepara e monta o lanche e um liquidificador que faz e aquece molhos e sopas voltados às classes A e B.
* A repórter viajou a convite da Eletrolar Show


