Setor de cosméticos tem pior desempenho em 23 anos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O setor de cosméticos caminha para pintar de vermelho o faturamento de 2015 pela primeira vez em 23 anos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Houve queda real de 6,7% nas vendas do País no acumulado entre janeiro e setembro na comparação com o mesmo período de 2014, principalmente pelo aumento de impostos e pela retração no poder de compra do consumidor. A entidade ainda não divulgou os resultados do último trimestre do ano passado.
Diante da crise econômica, o governo federal institui a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 22% também das distribuidoras de cosméticos, além da indústria. Ainda, o governo paranaense retomou a cobrança do índice cheio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do setor, que passou de 18% para 25% neste ano.
Quando considerados os aumentos do desemprego e da inflação de custos de indústrias e revendedores, nem mesmo o mercado da beleza, um dos que mais cresceram nos últimos anos, escapou da desaceleração nos lucros. O faturamento chegou a R$ 101,7 bilhões em 2014, alta de 11% sobre os R$ 91,9 bilhões de 2013, mas começa a dar sinais de retração.
No mercado de trabalho, o segmento até manteve a estabilidade nos primeiros cinco meses do ano, porém, com a queda no faturamento, houve redução no número de vagas diretas a partir de junho. A retração até setembro já estava em 4,1% ante os primeiros nove meses de 2014. Bem pior do que as altas em 12 meses de 8,3% em 2011, de 1,6% em 2012, de 2,6% em 2013 e de 2,2% em 2014, conforme a ABIHPEC.
O proprietário da rede londrinense Léo Cosméticos, Fábio Kai, afirma que o grande vilão para o mercado foram as altas de impostos. "A carga tributária aumentou em 40% o valor dos produtos e o volume vendido diminuiu perto de 11%", conta. "Não temos como absorver esses custos e esperamos que comece a melhorar somente no início do próximo verão", completa, ao prever um 2016 complicado.
Kai considera que a perda foi maior no Paraná, pela mudança no ICMS que não atingiu o restante do País. "Também temos nove lojas na região e, no total, tivemos de cortar 35 de 300 funcionários", conta.
CONSULTORAS
Situação diferente da marca Racco, de Curitiba. A diretora de marketing da empresa, Nicolle Rauen Nogueira, afirma que indústrias do setor, de modo geral, enfrentaram problemas neste ano, mas que o modelo de distribuição por meio de consultoras costuma crescer em momentos de crise. "É algo que favorece pessoas que estão desempregadas ou que precisam de uma renda extra", diz.
Para fortalecer ainda mais o sistema, ela conta que a empresa adotou mais uma estratégia para captação e retenção de novas consultoras, a quarta, ao lançar o Sistema Racco de Marketing 2.0 (SRM 2.0). "Fechamos uma parceria com uma empresa de cartão de crédito com facilidades para as consultoras. Além de parcelar a venda, elas recebem o dinheiro na conta em dois dias e não tem taxa de adesão", diz Nicolle.
Outras ações foram a mudança nas formas de treinamento e no sistema de distribuição, além de inovações em produtos. Por fim, a Racco está em fase de abertura de operações no México, com projetos para Canadá, Peru, Colômbia e Nova Zelândia, além de outros países onde já atua. Mesmo assim, também precisou cortar um número não revelado de funcionários, mas que seria menor do que a média nacional de 4,1%. "A Racco nasceu na crise durante o governo Collor e acabamos nos fortalecendo nesses momentos", diz.

Continue lendo:
- Consumidor substitui marcas e compra menos


