Erika Zanon
Reportagem Local
O faturamento anual do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos passou de R$ 5,5 bilhões em 1997 para R$ 9,6 bilhões em 2002, prova de que o mercado da vaidade caminha a passos curtos porém seguros. O setor, que no Brasil soma 1.020 empresas, lança cerca de 100 produtos diariamente e está em constante desenvolvimento tecnológico, ocupa a sexta posição no mercado mundial. Além do crescimento industrial, o segmento é o que mais fomenta as vendas diretas no País, totalizando 84% dos mais de 1,16 milhão de revendedores que atuaram no Brasil no primeiro semestre de 2003.
  Os números positivos, no entanto, não impediram que o setor sofresse a maior queda de produção nos últimos 10 anos e fechasse o primeiro quadrimestre de 2003 com saldos negativos. O segmento de higiene pessoal registrou uma queda de 9,34%, o de perfumaria teve uma diminuição de 8,08% e o de cosméticos caiu 0,89%. Os resultados negativos, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), se dão principalmente pela queda do poder aquisitivo da classe média no País. ‘‘Alguns dados mostram claramente que quem sofre com crise econômica é a classe média’’, afirma o presidente da Abihpec, João Carlos Basílio.
  Uma pesquisa realizada pela associação concluiu que a classe média está diminuindo os gastos até mesmo de produtos essenciais de higiene como sabonete, creme dental e fralda. ‘‘As pessoas estão cortando as despesas na carne’’, salientou Basílio. Além da queda do poder aquisitivo, outros fatores que prejudicaram o setor foram a alta de cerca de 20% no preço dos produtos e o aumento da informalidade. ‘‘Há uma perspectiva de crescimento desde que a renda das pessoas aumente’’, completa.
  Apenas o setor de comésticos conseguiu superar a crise e fechar o primeiro semestre do ano com saldos positivos: teve um crescimento de 9,66% em volume de produção e aumento de 16,78% em faturamento, em relação ao mesmo período do ano passado. A tradução do resultado, segundo Basílio, é sem dúvida porque a mulher brasileira tem uma participação crescente no mercado de trabalho e ainda é a que mais se preocupa com a beleza, e conseqüentemente a que mais movimenta o setor.
  ‘‘Ela tem dupla tarefa e merece algumas recompensas. Ela trabalha e também procura estar sempre bonita. Mulher nunca sai de casa sem passar um batonzinho’’, reforçou. ‘‘Antes era apenas as classes mais altas que tinham condições de cuidar do corpo e da pele, agora esses produtos estão acessíveis a um maior número de mulheres’’, acrescentou o presidente da Abihpec.
  Um ponto que também impulsionou o crescimento da indústria de cosméticos, como argumenta Basílio, foi o aumento da participação masculina nos cuidados com a pele. O mesmo também acontece com os adolescentes, que segundo o presidente da Abihpec, estão começando a usar esses produtos, cada vez mais cedo.
  Mesmo assim o segmento ainda é ‘‘delas’’. As mulheres são as responsáveis por 90% das vendas dos produtos da Avon, por exemplo, empresa líder nas vendas diretas. ‘‘Elas ainda são nossas melhores clientes’’, garante o vice-presidente de vendas da companhia no Brasil, Saulo Nunes. Segundo ele, a empresa possui no País cerca de 20 milhões de clientes que adquirem os produtos a cada três semanas regularmente. E mais 60 milhões de pessoas que alternam os meses de compra dos produtos Avon. Em termos globais, o Brasil, como classificou o vice-presidente, está em terceiro lugar em faturamento – foram R$ 2,6 bilhões em 2002 –, atrás apenas dos Estados Unidos e México.
  De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), a atividade também é bastante privilegiada pelo desenvolvimento da indústria de cuidados pessoais – cosméticos, perfumes, bijouterias, vestuário, etc. No primeiro semestre deste ano as vendas diretas cresceram 21%, em relação ao mesmo período do ano passado, o que totalizou um faturamento de R$ 3,6 bilhões contra R$ 3 bilhões de 2002.
  O presidente do conselho de ética da ABEVD, Ricardo Tanaka, contou que o Brasil é o oitavo país do mundo no ramo de vendas diretas.

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