São Paulo – A difusão dos consórcios e a expectativa de aceleração da economia brasileira levam os administradores de consórcios imobiliários a projetarem um desempenho otimista para 2002. ‘‘Esperamos que as vendas de cotas cresçam 50% no próximo ano’’, afirmou a diretora regional para São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Karla Battistella.
Karla diz que o otimismo baseia-se em ‘‘fatos reais’’. O primeiro é o desempenho do setor. Em 2001, quando a economia brasileira foi sacudida por turbulências internas e externas, a venda de cotas de consórcios imobiliários cresceu 44,4% de janeiro a outubro, sobre igual intervalo de 2000.
O número de cotas comercializadas atingiu 48,8 mil, ante os 33,8 mil do mesmo período do ano passado. O número de participantes ativos alcançou 92 mil, em outubro de 2001, ante 73,7 mil no mesmo mês de 2000, indicando crescimento de 24,8%.
Karla acrescenta que, nos últimos cinco anos, as vendas aumentaram 180%. ‘‘É difícil encontrar um segmento econômico que tenha apresentado esse desempenho’’, afirmou. ‘‘A tendência de crescimento está se mantendo’’, completou.
O anúncio de que a Caixa Econômica Federal (CEF) pretende atuar neste segmento também despertou o interesse de quem busca a casa própria. Segundo Karla, desde que a instituição informou seus planos, aumentou o número de consultas sobre o sistema de consórcios. ‘‘Para as pessoas, a entrada da Caixa no sistema assinala a credibilidade dos consórcios’’, declarou.
O rigor da fiscalização do Banco Central e a estabilidade financeira das administradoras também contribuíram, conforme Karla, para a difusão do mecanismo. ‘‘O mercado amadureceu’’, disse. No ano que vem, o mercado imobiliário espera que a CEF retome o financiamento habitacional para classe média com recursos próprios, suspenso em agosto último. O retorno pode estimular bancos privados a reverem suas linhas. Mas a Abac não teme que os empréstimos concorram com os consórcios. ‘‘São públicos diferentes’’, explica Karla.
Para a representante da Abac, os financiamentos bancários destinam-se a quem deseja adquirir o imóvel rapidamente. Já o consórcio é uma alternativa para os que não têm pressa de comprar a casa própria. A entrada do grupo Silvio Santos e do banco Panamericano nesse segmento promete aquecer ainda mais este ano o setor.

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