Setor de cimento ignora crise
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segunda-feira, 08 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
A indústria de cimento e os revendedores de materiais de construção fecham o ano batendo recordes de vendas, ilesos, até agora, à forte retração de consumo detectada no mercado depois da alta dos juros e do pacote fiscal. Temos inércia e não sofremos paradas bruscas, afirma o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Claudio Conz. Ele explica que os projetos da construção civil têm prazos mais longos e não é possível interrompê-los de uma hora para outra.
As lojas de materiais de construção encerram este ano com faturamento recorde de R$ 26 bilhões, 10% mais que em 1996. As vendas anuais da indústria de cimento atingiram 38 milhões de toneladas, maior volume registrado desde 1970, depois de bater recordes mensais consecutivos em setembro e outubro. No caso das tintas, o total de 800 milhões de litros despejados no mercado neste ano, 60% destinados ao setor imobiliário, aproxima-se do recorde alcançado em 1989, segundo o secretário da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Mário Krausz.
O consumo formiga, das pessoas que compram, individualmente, pequenas quantidades materiais para reforma e construção da casa está sustentando as vendas dos setor, observa Conz. As vendas de materiais de construção para reforma e ampliação da moradia respondem por 72% do total comercializado.
Na avaliação de Conz, essa demanda não deverá se retrair em 1998 por causa das facilidades de financiamento oferecidas pelas lojas. Além disso, ele lembra que os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a serem disponibilizados para compra de materiais de construção em 1998, somados ao dinheiro do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), devem sustentar as vendas a curto prazo.


