Setor de cigarros sonega R$ 4 bi
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terça-feira, 10 de outubro de 2006
Agência Estado 
Brasília - Passa de R$ 4 bilhões o rombo nos cofres públicos por sonegação fiscal no setor de cigarros. Esse é o tamanho dos débitos tributários não pagos pelas empresas que estão sendo cobrados pela Receita Federal. A Receita estima em R$ 600 milhões por ano a sonegação das empresas do setor. Segundo a Receita, das 16 empresas fabricantes de cigarros que atuam no Brasil, 9 tiveram seus registros cancelados, mas funcionam com base em liminares concedidas pela Justiça.
O setor é um dos principais alvos da fiscalização da Receita este ano. O cigarro é o produto que tem a mais alta carga tributária no Brasil. Do preço pago pelo consumidor, 65% são tributos. A Receita tenta impedir a sonegação, mas a Justiça reabre as fábricas, que continuam sonegando, criticou o coordenador de Fiscalização da Receita, Marcelo Fisch. Ele informou que outras empresas do setor estão sendo investigadas.
Há indícios de que os grupos investigados utilizavam inúmeras empresas de fachada, laranjas, e cooptavam agentes públicos para a montagem de um esquema de proteção e blindagem em organismos fiscais e policiais. As investigações do esquema de fraude, que tiveram início há um ano, também identificaram um esquema de introdução clandestina no País de cigarros produzidos no Paraguai, sem pagamento de quaisquer tributos. De acordo com a Receita, a sonegação fiscal promovida pela organização é difícil de ser calculada, mas pode ser estimada em centenas de milhões de reais.
As investigações também mostraram que parte da organização atuava ainda no contrabando de gado, pneus, armas e drogas, procedentes de países de fronteira, como o Paraguai, Bolívia e Uruguai.


