São Paulo A indústria de bicicletas e de suas peças teve um ano ruim no Brasil por causa da recessão econômica. Até o fim de dezembro, a produção deverá atingir 4,450 milhões de unidades e será 6,3% menor do que em 2002. Isso significa que o setor voltou aos níveis do ano 2000. O total deste ano será 7,2% menor do que o recorde de 4,8 milhão de unidades registrado em 2001.
Na avaliação de José Luís Fernandes, diretor do Departamento de Duas Rodas, Partes e Peças do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), a queda na produção das peças de bicicletas deverá ser de 10% este ano em relação a 2002. Os dados não incluem o mercado pirata, que responde por 30% da produção.
Segundo ele, a diminuição da renda da população fez cair as vendas de bicicletas, cujo preço continuou salgado por causa dos altos custos dos componentes. Além disso, a margem de lucro dos fabricantes de bicicletas diminuiu por causa do alto preço da matéria-prima (aço, plástico, alumínio etc).
''Em 2002, a alta do dólar causou um salto no preço dos componentes, que não recuou desde então'', disse ele, durante apresentação dos dados na sede do sindicato, em São Paulo. ''Por isso, as margens de lucro se estreitaram.'' A pressão dos custos fez com que os fabricantes não diminuíssem os preços das bicicletas. Como o consumidor estava mais arredio, o resultado foi a queda nas vendas e na produção. Em 2004, Fernandes acredita que o setor poderá recuperar o que perdeu este ano porque a economia dá sinais de retomada e o consumidor poderá voltar a comprar.
Além disso, segundo ele, o governo federal dá mostras de que vai apoiar o transporte ''sustentável'' nas cidades, estimulando a construção de ciclovias para apoiar modalidades de transporte menos poluentes e mais democráticas, como a bicicleta.
De acordo com o diretor do Simefre, o setor de bicicletas no Brasil se divide hoje entre os fabricantes reconhecidos e a informalidade. Ou seja, existe hoje uma forte indústria de peças de bicicletas que produz produtos de menor valor agregado e que está à margem do mercado.
''Cerca de 30% do mercado é informal e desconhece o que é uma nota fiscal, portanto não paga impostos; é uma relação perversa para quem é sério e tem de responder adequadamente à demanda do consumidor'', afirma. Segundo Fernandes, o Simefre pretende discutir com o governo federal a regulamentação dos fabricantes de peças e partes de bicicletas e a tributação do setor.

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