Setor de autopeças vai assumir projeto de carros no ano 2000
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segunda-feira, 23 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaQuestão de sobrevivênciaO presidente do Sindipeças, Paulo Butori: Será um jogo de leão, não um jogo para gatosDentro de cinco ou seis anos o desenvolvimento tecnológico dos carros de todo o mundo ficará nas mãos de 30 a 35 grandes produtores de autopeças. Os chamados sistemistas - ou fornecedores de primeiro nível - vão cuidar da concepção dos veículos. Às montadoras caberão apenas as tarefas de pesquisa, marketing e comercialização. É em torno desse consenso que cerca de 350 executivos da indústria de componentes se reuniram ontem, em São Paulo, no seminário Autopecas: o ano decisivo, realizado pela Autodata, uma newsletter do setor automotivo. Da união desses megassistemistas com as montadoras surgirão as novidades e as regras que teremos de seguir, destacou o presidente do Sindicato da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori.
A principal preocupação de Butori na sua palestra foi reiterar a necessidade de a indústria nacional buscar entre os maiores grupos no exterior parceiros para garantir a sobrevivência dos que atuam no setor no Brasil. Este é um jogo para leão; não é um jogo para gatos, disse.
Segundo o presidente do Sindipeças, os grandes fornecedores de sistemas serão grupos com faturamento anual superior a US$ 15 bilhões cada um. A esse grupo ficarão atrelados cerca de 250 empresas do chamado fornecimento de segundo nível, também mundiais, segundo o consultor da KPMG, Emilio Egri.
Butori disse que as empresas brasileiras teriam que investir em tecnologia para poder participar do novo jogo de concorrência internacional. Como essas empresas estão descapitalizadas e as taxas de juros proíbem que elas recorram ao mercado financeiro, não resta outra alternativa a não ser a busca de parceiros no Exterior, destacou.
Novo perfil A mudança no sistema de fabricação de carros implicará no aumento do número de fornecedores indiretos e consequente redução dos diretos. O vice-presidente da consultoria A.T. Kearney, Rogerio Aun, lembrou que há até dois anos 66% do abastecimento de componentes para as linhas de montagem instaladas no Brasil eram feitos por fornecedores diretos. Trabalho de pesquisa da Kearney mostrou que no ano 2000 a proporção será de 20% de participação dos diretos e 80% dos indiretos.
Segundo Emilio Egri, da KPMG, a capacidade de desenvolvimento de um veículo pelos fornecedores do primeiro nível é tão grande que qualquer um deles poderia fabricar um carro completo. Estas empresas só não farão isso porque estrategicamente lhes interessa mais fornecer para montadoras que já tem um nome conhecido no mercado e rede de assistência técnica estruturada, justificou.


