Setor de autopeças lidera transferência
São Paulo - O setor de autopeças lidera os pedidos de transferência de linhas de produção para o Brasil. Na lista de empresas que solicitaram autorização do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), estão 12 fabricantes. Entre elas: Mahle, Bosch, Dana, Federal Mogul, TRW e Teksid. ''É um bom exemplo, porque as vendas de carros subiram no Brasil, enquanto houve redução drástica em outros países'', disse o coordenador da Rede Nacional de Informações sobre Investimentos (Renai), do ministério, Eduardo Celino.
Graças ao incentivo tributário do governo, as vendas de veículos no País devem crescer 6% este ano em relação a 2008, conforme a Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea). De janeiro a julho, o mercado de carros caiu 32% nos Estados Unidos e 19% no Japão. ''Com a crise, temos capacidade ociosa nos Estados Unidos e na Europa. Mas precisamos aqui'', disse o supervisor de importação da Mahle, Omar Dominicale. Estão em andamento na empresa três processos de transferência de máquinas, um investimento de 1,5 milhão de euros.
A Federal Mogul vai transferir uma linha de produção que está hoje no Reino Unido. O equipamento será instalado em Araras (SP) e vai aumentar em 40% a capacidade da unidade. Já a Jtekt trouxe do Japão uma linha de fabricação de cremalheiras, uma parte da direção hidráulica. Segundo o gerente-geral comercial, Lúcio Teixeira Pinto, as máquinas começaram a operar este mês e vão dobrar a capacidade da fábrica em São José dos Pinhais (PR). ''Como o mercado interno está aquecido, quase 40% das vendas são atendidas hoje com importações da Europa. Agora produziremos tudo no Brasil.''
Parafusos
Uma prensa de 15 toneladas desembarcou no Brasil no fim de 2008. A máquina foi transferida dos Estados Unidos para uma empresa de autopeças de São Paulo. Depois de tirar os pedaços do contêiner, transportar até a fábrica, desembalar as caixas, os técnicos perceberam que faltavam os parafusos. E não eram parafusos comuns, mas peças de mais de 20 centímetros. O exportador simplesmente esqueceu de incluir. Foi preciso mandar fazer no Brasil e a máquina ficou parada, provocando prejuízo.
A transferência de uma linha de produção não é nada trivial. Segundo Roberto Vieira, sócio da empresa especializada Conterv, são três fases: obter as licenças de importação, transportar as máquinas, e fazer o desembaraço nos portos. Para trazer máquinas usadas, a empresa tem de provar, com fotos, que a máquina não tem similar nacional. Se tiver, tem de comprar equipamentos brasileiros do mesmo valor. (A.E.)





