O setor de autopeças vai encerrar o ano com 16 mil trabalhadores a menos. As empresas tinham 186 mil funcionários em dezembro de 97 e hoje empregam apenas 170 mil. Os cortes não param por aí. Caso o mercado de veículos continue em queda, estão previstas mais 10 mil demissões até março, segundo informou o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori.
O acordo feito entre a Volkswagen e os sindicatos dos metalúrgicos do ABC e de Taubaté, de redução da jornada de trabalho e dos salários em 15%, foi elogiado pelo presidente do Sindipeças. ‘‘Se os sindicatos tivessem aceitado proposta similar feita por nós no início das negociações do setor teriam evitado várias demissões’’, afirmou.
O Sindipeças fechou recentemente acordo com os trabalhadores estabelecendo reajuste de 2,5% e redução em alguns benefícios. Butori informou que o corte nas cláusulas sociais representam economia de apenas 0,72% para as empresas. ‘‘Dessa forma não dá para segurar emprego’’, avisou. A entidade representa cerca de 500 fabricantes de autopeças.
O faturamento do setor será 12% menor do que no ano passado, totalizando US$ 14,5 bilhões. Esse montante é 3,3% inferior ao previsto por Butori logo após a explosão da crise na Rússia, em agosto. ‘‘Tivemos que refazer os cálculos’’, disse. Para o executivo, 1999 poderá ser ainda pior pois as montadoras, que respondem por 58% das vendas do setor, estão prevendo nova queda na produção, principalmente durante o primeiro semestre.
Outro fator que deve contribuir para a ociosidade das fabricantes, que atualmente está na casa dos 30%, é o aumento das importações de componentes. De acordo com Butori, em 1990 o carro nacional tinha o equivalente a US$ 600 em peças importadas. Essa participação pulou para US$ 1,9 mil no ano passado. Além das montadoras, as próprias indústrias do setor ampliaram as compras externas para compensar as exportações, como prevê o acordo automotivo.

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