Curitiba - A crise financeira já começa a afetar as empresas de autopeças do Paraná. O setor já registrou uma queda de 25% nos contratos. Caso não haja um quadro de melhora da situação até o final do ano, devem ocorrer demissões a partir de dezembro. O presidente do Sindicato da Indústria Mecânica, Metalúrgica e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal-PR), Roberto Karam, disse que ainda não é possível prever o número de cortes que podem ocorrer nas empresas do Estado.
Ele lembrou que o primeiro anúncio de férias coletivas foi o da montadora Volkswagen, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Depois de anunciar férias coletivas a 900 funcionários do terceiro turno, a fábrica da Volkswagen, ampliou a medida para mais 900 funcionários do segundo turno. O primeiro grupo fica em casa de 3 a 13 de novembro e o segundo entre 10 e 20 de novembro. Karam informou que os fornecedores da montadora alemã vão conceder férias coletivas no mesmo período que a companhia.
Segundo ele, a Renault, também localizada em São José dos Pinhais, deve ter redução de produção a partir de janeiro, apesar de ainda não ter divulgado números.
''Estamos aconselhando que as empresas de autopeças verifiquem a possibilidade de conceder férias coletivas e utilizarem banco de horas antes de demitirem'', disse Karam. Segundo ele, não estão aparecendo contratos novos para as fornecedoras das montadoras.
Karam disse que as empresas de gusa do País (matéria-prima para fazer o aço) já pararam com férias coletivas e, se o setor não reagir, podem começar a demitir, pelo menos, 30% do pessoal. No Paraná, essas empresas ainda não concederam férias. Hoje, Curitiba e Região Metropolitana contam com 3.400 empresas de autopeças.
''Estamos preocupados com o crédito. Os bancos vão oferecer crédito caro e as empresas têm que aceitar porque não contam com outra alternativa'', disse. Segundo ele, agora, o crédito já está mais restritivo.
Ontem, Karam participou de uma reunião em Caxias do Sul (RS) com os sindicatos das indústrias de autopeças do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina para discutir os problemas que estão ocorrendo em cada região por conta da crise e com o objetivo de buscar alternativas e soluções.

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