O ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues recebeu ontem de manhã em Londrina, uma carta reivindicatória da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapós) e da Cooperativa Integrada, representantes do segmento de armazenagem de grãos. Entre os pedidos que constam no documento, está a liberação de crédito oficial para construção e modernização de unidades armazenadoras do País. A defasagem do setor, de acordo com o documento, é de mais de 30 milhões de toneladas.
Também o setor avícola do Estado encaminhou reivindicações ao ministro por mais prazo no pagamento de linhas de crédito direcionadas às empresas e cooperativas. O pedido foi entregue pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiaviapar), Domingos Martins, e pelo vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti. O ministro garantiu que discutirá a proposta com o Conselho Monetário Nacional e com o BNDES.
Rodrigues veio à Londrina para a solenidade de abertura oficial da 45 Exposição Agropecuária e Industrial, e evitou polemizar com o Governo do Paraná ao adotar o discurso de neutralidade sobre a exportação de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá. O ministro pouco quis falar sobre a derrubada da lei estadual que proibia exportações de transgênicos, na última quarta-feira, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tirada pelos ministros do STF por unanimidade de votos.
No mesmo dia em que saiu o despacho do Supremo, o procurador geral do Estado, Sergio Botto de Lacerda, declarou que a medida não mudaria muita coisa no Paraná, já que o porto não tem condições de segregar a soja convencional da transgênica. Ontem, Rodrigues afastou a hipótese de o governo federal conversar com o estadual para resolver essa questão. ''O governo do Paraná diz que não tem condições de Paranaguá fazer a separação dos grãos e que, portanto, exportaria transgênicos. A União tem suas posições por meio da Antaq ela entende disso, eu não quero entrar na discussão'', esquivou-se. Rodrigues se refere à Agência Nacional de Transportes Aquaviários, cujo relatório de fevereiro aponta viabilidade técnica de o porto fazer essa segregação. ''Nós obedecemos a lei, e essa decisão do STF dá um rumo para essa questão'', resumiu.
O ministro avalia que a decisão de barrar a exportação de soja transgênica no porto paranaense não vá afetar as exportações brasileiras. Para ele, os reais prejudicados seriam, na verdade, os produtores. ''É prejuízo para eles, que terão custos eventuais em mandar o produto mais longe para ser exportado'', comentou.
O vice-governador e secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, reafirmou que o ''melhor caminho para os produtores é o da soja convencional''. ''Vamos respeitar a lei, mas temos o direito de continuar defendendo que se plante soja convencional e orgânica'', finalizou.

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