Setor de alimentos se perde quando foca baixa renda
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Amanda Brum<br> Agência Estado 
São Paulo - Que o consumidor das classes D e E voltou a consumir é fato. Tanto que a Latin Panel detectou um aumento de 5% no número de domicílios de baixa renda no mercado de consumo no primeiro semestre deste ano ante igual período de 2003. Incontestável também é seu potencial, já que as classes populares representam 75,7% da população brasileira e deixam, em média, 45% de sua renda mensal nos supermercados, especialmente com compra de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Pouco convictas, na verdade, têm sido as investidas da indústria de alimentação para ganhar esse público, muito por causa de falta de informação.
''Para entrar e ficar nas classes C, D e E é essencial que as indústrias equilibrem qualidade e competitividade'', opinou o gerente de Marketing da J. Macêdo, Jumar da Silva Pedreira. ''Além disso, é necessário estudar o perfil e hábito de compra do consumidor, para oferecer o que ele busca nos lugares em que realiza suas compras, sem descuidar da comunicação com esse público, seja em materiais no ponto-de-venda, seja nas embalagens.''
Em seminário realizado sobre o tema em São Paulo, Pedreira apontou que as indústrias de alimentação ainda não exploram como poderiam o mercado de baixa renda porque ainda o vêem sob a ótica de diversos mitos. Um exemplo é de que a marca, para os consumidores C, D e E, fica em segundo plano, em detrimento do baixo preço. Segundo ele, isso nem sempre é verdade, ainda mais quando se trata de produtos ligados ao bem-estar, como alimentos e higiene.
''Tanto que as marcas mais caras estão sempre presentes nos lares de baixa renda, que preferem optar por um produto de qualidade garantida a arriscar a compra de um desconhecido, que pode colocar aquele dinheirinho a perder'', explicou Pedreira, cuja empresa responde por marcas como Dona Benta, Petybon e Branca de Neve. ''Para se adequar a esse público as indústrias donas das marcas líderes poderiam, por exemplo, disponibilizar os produtos em embalagens de menor gramatura, e consequentemente mais baratas.''


