Representantes do setor sucroalcooleiro do Estado entregaram uma carta ontem em Londrina ao governador Jaime Lerner (PFL) pedindo o empenho político dele para que o governo federal agilize a compra de álcool do Paraná, libere financiamentos para estocagem do produto e determine o cumprimento da lei que obriga a mistura da gasolina ao álcool. Duas reivindicações foram feitas ao Estado - que Lerner dificulte a entrada de álcool dos outros estados no Paraná e estimule os municípios a adquirir veículos oficiais movidos a álcool. Ele prometeu agir. ‘‘O Paraná precisa proteger sua produção’’, defendeu.
A carta é assinada por Ermeto Baréa, presidente de três entidades do setor: Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná, Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado e Sindicato da Indústria do Açúcar. Segundo o diretor executivo das entidades, Paulo Zanetti, o Paraná vai produzir até o final do ano 25 milhões de toneladas de cana; 1,38 bilhão de litros de álcool e 25 milhões de sacas de açúcar. ‘‘Não aceitamos vender nossos produtos a preços abaixo do mercado e não teremos faturamento pagar os compromissos’’, revelou.
Segundo ele, o setor emprega 500 mil trabalhadores diretos e indiretos no Paraná. ‘‘É preciso resolver o problema senão seremos obrigados a demitir’’, disse o presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, Wilson Baggio. Os presidentes da Usina Bandeirantes, Serafim Meneghel, e da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, além do gerente da fazenda Corumbataí, Márcio Reis, reforçaram o pedido a Lerner.
Galli também reivindicou ao governo que cumpra os pedidos de reintegração de posse determinados pela Justiça. Reis pediu apoio político de Lerner para solucionar o impasse na fazenda, localizada em Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana) e invadida por 1,2 mil famílias. Segundo ele, a área tem 14 mil hectares e não pode ser desapropriada. ‘‘Teria de haver negociação entre Incra e proprietário para que o governo adquirisse a fazenda. Pedimos que o Estado ajude a resolver porque o dono está impedido de exercer o uso da terra’’, apelou.

mockup