Produtores e industriais da cadeia produtiva da mandioca querem que o Governo Federal reajuste os preços mínimos da raiz, da farinha e da fécula/amido, que estão ‘‘congelados’’ desde o ano de 2003. Em reunião técnica realizada sexta-feira passada em Paranavaí (noroeste do Paraná), foram levantados por integrantes do setor e técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) valores considerados ideais hoje para os preços mínimos desses três itens.
  Os valores propostos pela cadeia produtiva, considerando-se, também, custos de produção coletados na Região Oeste do Estado, serão avaliados por técnicos e diretores da Conab, que levarão, posteriormente, a proposta ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
  De acordo com os estudos apresentados no encontro para produzir uma tonelada de raiz de mandioca o produtor rural gasta hoje R$ 110,95 (sem considerar juros cobrados por empréstimos para execução do plantio, o que elevaria o valor para R$ 125,16), enquanto que o preço mínimo do Governo é de R$ 54,00 a tonelada. Considerando-se este valor, a produção de um saca de 25 quilos de fécula/amido de mandioca custa R$ 15,61 - contra os
R$ R$ 11,00 do preço mínimo estabelecido pelo Governo. Também com base no mesmo parâmetro, a saca de 50 quilos de farinha de mandioca tem custo de R$ 24,64 - enquanto o Governo tem como preço mínimo o valor de R$ 15,00.
  Conforme o Presidente da Associação dos Produtores de Mandioca do Noroeste do Paraná (Aproman), Cleto Lanziani Janeiro; e o secretário da Associação dos Produtores de Mandioca de Ivinhema/MS (Aipim), Osvaldo Cardogna, os preços praticados em ambos os Estados, para a tonelada de raiz, estão na mesma faixa: R$ 85,00 - para mandioca com renda 20. ‘‘Como a maioria das roças da região de Ivinhema está obtendo renda 19, o preço tem caído para R$ 80,00 a tonelada. O ideal seria que atingisse R$ 150,00 a tonelada’’, diz Cardogna, para quem ‘‘o preço de R$ 15,00 pela saca de 50 quilos de farinha de mandioca não paga nem mesmo a compra de raiz’’.
  Na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Ricardo Bandeira Villela, os problemas vividos hoje pelo setor têm como complicador a política cambial do País. ‘‘Estamos vivendo uma crise geral, devido ao câmbio irreal, que está afetando todos os produtos agrícolas. Só estão bem os commodities, negociados em bolsas, que estão realizando operações com o estrangeiro. Esta é uma crise conjuntural do Brasil, e não apenas da mandioca. Hoje o milho está com grande prejuízo, maior que o vivido pelos integrantes da cadeia produtiva da mandioca’’, enfatiza ele.
  Após a reunião, que contou com a presença dos deputados Moacir Micheletto (PM-DB/PR); João Grandão (PT/MS); Waldemir Moka
(PMDB/MS); e, Assis Miguel do Couto (PT/PR), foi encaminhado um documento ao Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal, deputado Ronaldo Caiado (PFL/ GO), solicitando a realização de uma audiência pública para se discutir o preço mínimo, mercado e produção da mandioca.

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