Curitiba A indústria de plástico brasileira sofreu uma redução no volume de vendas de 30% no segundo trimestre de 2003. Essa é a pior crise do setor em todos os tempos e, caso não haja recuperação nos próximos meses, pode gerar demissões na mesma proporção da queda de faturamento. Isso significaria que cerca de 6 mil trabalhadores no Paraná e 66 mil em todo País podem perder seus empregos. Para os empresários do setor, a única forma de reverter esse quadro é o reaquecimento da econômia, um aumento nas exportações e uma rigorosa reforma tributária.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (Abiplast), Merheg Cachum, o faturamento da indústria plástica do Brasil movimentou, em 2002, U$ 9,3 bilhões. Para esse ano, as expectativas dos empresários é que haja uma grande redução em função do menor consumo no mercado interno. Atualmente, 80% da produção de produtos plásticos são vendidos dentro do Brasil. ''Estamos vivendo uma crise mundial e os países em desenvolvimento são os que sofrem mais. Contudo, a política econômica e tributária do Brasil precisa melhorar para o nosso setor crescer. Se as mudanças não forem imediatas, podem haver muitas demissões e até fechamento de fábricas'', salienta Cachum.
No intuito de buscar soluções para a crise, empresários do setor plástico participaram ontem, em Curitiba, de um fórum que reuniu representantes da indústria petroquímica e do plástico de oito estados. O evento foi promovido pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná (Simpep). ''A indústria plástica é a primeira que sofre com a crise e a última a sentir as melhorias. Isso porque o plástico está presente em uma enorme quantidade de produtos, desde uma simples caneta até componentes eletrônicos'', explica o presidente do Simpep, Dirceu Galléas.
Atualmente, as exportações na indústria de plástico no Brasil representam apenas 20% e nos últimos cinco anos não houve crescimento desse índice. O vice-presiente da Abiplast, Celso Luiz Gusso, diz que a meta do setor é elevar esse número nos próximos anos. Segundo Gusso, é preciso envolver toda a cadeia produtiva no projeto, caso contrário não há como atingir o objetivo. ''O plano é investir U$ 3 milhões em promoção da indústria plástica brasileira no mercado mundial. Nossa meta é, em 2007, exportar um milhão de toneladas de plásticos, o que geraria uma renda de 1 bilhão de dólares'', afirma Gusso.
O Paraná é o quarto maior consumidor de plástico do País, demandando 318 mil toneladas por ano, o que representam 7,8% de toda produção nacional. Só o estado de São Paulo detém 40,5% do consumo, seguido por Santa Catarina, com 13,2% e Rio de Janeiro, com 9,7%. Entre os produtos transformados, as embalagens são as mais consumidas, representando 39,73% e a construção civil fica em segundo lugar, com 13,6%. Os segmentos que mais usam embalagens plásticas são os alimentos (52%) e as bebidas e fumo (30%). Já na construção civil, a grande demanda é para a área de saneamento, como tubos e conexões.

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