Maringá - A Polícia Civil aponta que mais de 10 empresas autodenominadas representantes de combustíveis atuavam no mercado ilegalmente em Maringá, além das outras cinco flagradas na semana passada. Apenas dois sócios-proprietários de uma representante foram identificados até agora. Eles estão com mandado de prisão provisória, mas continuam foragidos. As cinco empresas atuavam na cidade há quase três anos. Estima-se uma sonegação de ICMS superior a R$ 50 milhões, além de indícios de adulteração.
As investigações da Polícia Civil, Receita Estadual e Promotoria Especial de Combate à Sonegação de Maringá podem demorar mais de seis meses, por causa do volume de documentos apreendidos nas cinco empresas.
Segundo o delegado-adjunto da 9 Subdivisão Policial de Maringá, Ítalo Cesar Sêga, todos os proprietários e sócios ainda não foram identificados. A polícia se depara com a existência de 'laranjas', de contratos sociais com alterações e da atuação de procuradores no lugar dos verdadeiros donos.
Sêga explica que depende da análise dos documentos - a maioria em auditoria fiscal na Receita Estadual - para angariar informações suficientes para identificação, intimação e posterior depoimentos dos empresários. Conforme o delegado-adjunto, as investigações ainda vão se estender em usinas, postos, distribuidoras e fornecedores de solventes.
Em uma agenda localizada entre os documentos apreendidos, a promotoria identificou fórmulas utilizadas pelos donos das empresas na adulteração de gasolina. A fórmula mostrava a transformação de 5 mil litros de gasolina ''A'' em 36 mil litros de batizada, classificada pelos empresários de gasolina tipo ''C''.
Tanto a polícia como a promotoria estão recebendo uma série de informações de empresários do setor de combustíveis cansados de enfrentar a concorrência desleal do mercado paralelo. Para o promotor Maurício Kalache, este tipo de atuação ilegal está presente em quase todo o País. Kalache também acredita que as investigações serão demoradas. Ele citou como exemplo uma planilha com 1.200 páginas sobre os negócios de uma das empresas.
Segundo o promotor, o trabalho que está sendo realizado em Maringá poderá ser utilizado como experiência em outros centros urbanos. ''Acontece que até hoje, cada um só faz aquilo que enxerga, e a diferença agora, é que os setores responsáveis pela fiscalização se juntaram em Maringá e estão conseguindo bons resultados'', afirma Kalache. ''Para combater uma organização criminosa é necessário que o Estado também se organize'', acrescenta o promotor.

mockup