Setor comemora retomada das vendas de máquinas
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Guto Rocha Enviado Especial à Esteio 
Guto RochaExpointer-97Feira do Rio Grande do Sul funciona como vitrine para consolidação de negócios posterioresA agricultura brasileira, aos poucos, vem alcançando a maturidade que sempre mereceu. Atualmente vemos empresários rurais buscando as melhores tecnologias para garantir produção e produtividade, num setor em que não há mais lugar para aventureiros. A avaliação é do diretor-presidente da SLC-John Deere S.A., Eduardo Longemann, que demonstra otimismo em relação à Expointer-97, que acontece em Esteio (RS) até domingo. A indústria gaúcha comemora a retomada das vendas de máquinas agrícolas, logo após a sua entrada no mercado de tratores.
O gerente de Marketing da SLC-John Deere, Gilberto Zago, não revela os números, mas afirma que as vendas de máquinas na Expointer-97 este ano estão bem superiores aos negócios registrados no ano passado. A exposição na verdade funciona como uma vitrine, onde empresas e compradores fazem contato com as empresas, comenta.
Mercado em reação Zago afirma que as vendas de máquinas agrícolas este ano não recuperaram o volume registrado em 1995, mas já apresenta sensível melhora em relação ao ano passado. Zago observa que o fraco desempenho das vendas de tratores e colheitadeiras se deveu a três fatores: seca e quebra de produção no Sul do País, região responsável por 30% do mercado de máquinas; indefinições das regras de securitização das dívidas e a descapitalização do setor. Muitos produtores venderam a soja verde para não entrar em banco e na hora da colheita não puderam investir em máquinas, comenta.
Segundo Zago, enquanto as vendas de colheitadeiras no ano passado inteiro somaram 899 máquinas, enquanto que apenas no primeiro semestre deste ano, o setor comercializou 960 colheitadeiras, sendo que 45% foram vendidas pela SLC-John Deere. A expectativa é de que o setor feche 97 com a venda de 1,3 mil colheitadeiras no mercado interno, estima Zago. Em 1995, foram vendidas 1.423 colheitadeiras.
Já as vendas de tratores no primeiro semestre deste ano ficaram em 7.999 unidades, com a SLC participando com 7,9% do mercado. Até o final de 97, segundo previsão de Zago, as vendas de tratores devem somar 15 mil unidades. No ano passado, segundo Zago, foram comercializados 10.288 tratores (2,8% da SLC). O gerente de Marketing da SLC-John Deere observa que a empresa entrou no mercado de tratores em abril do ano passado, e a participação já apresenta crescimento. E ainda temos muito que aprender nesta área, uma vez que existem muitos nichos no mercado, como café, cana, laranja, que são novos para a SLC, que trabalhava basicamente com áreas de soja, trigo, milho, afirma.
Quanto ao mercado externo, Zago observa que o setor de máquinas agrícolas se voltou para a exportação porque era a única saída para sobreviver à crise da agricultura. Ele diz que o envio de colheitadeiras para o exterior é crescente. Em 95 foram exportadas 948 máquinas (54% da SLC), no ano passado 1.689 (49% SLC) e no primeiro semestre desde foram enviadas ao exterior 1,2 mil máquinas (65% da SLC).
Em relação à exportação de tratores, a participação da SLC-John Deere está na faixa de 15% do mercado. Para 97, em relação ao ano passado, a estimativa é de um crescimento de 30% nas exportações, significando uma participação de 50% no faturamento bruto da empresa, estimado para o ano entre R$ 270 e R$ 290 milhões. Este crescimento deverá ser sustentado pelo lançamento dos tratores em todos os países da América do Sul, ainda neste segundo semestre, visto que até agora o produto era comercializado apenas no mercado argentino. Segundo Zago, no ano passado o Brasil exportou 5.279 tratores e no primeiro semestre deste ano foram embarcados para o exterior 3.432 unidades.


