Setor cobra solução para 100 ton de BHC
Durante a audiência pública, representantes do segmento agrícola da região cobraram uma solução a respeito do recolhimento de 100 toneladas de agrotóxicos proibidos ou obsoletos que estão atualmente armazenados nas propriedades rurais. A diretora de Meio Ambiente da Sociedade Rural da Região de Cornélio Procópio (SRRCP) e engenheira agrônoma da Seab, Carla Paiva, lembrou que um desses produtos, o BHC, foi muito utilizado para controle da broca do café nos anos 1970, mas foi proibido em 1985. ''Os produtores ficaram sem ter o que fazer com esse produto e há alguns anos a gente vem cobrando uma solução para o recolhimento definitivo'', ressaltou.
Em 2009, uma lei criada por meio do Projeto Produtos Obsoletos Eliminados Integralmente com Responsabilidade Ambiental (Poeira) deu prazo de seis meses para que os agricultores fizessem uma declaração da quantidade e localização do produto. A lei previa que o Estado, em parceria com o Instituto Nacional de Recolhimento de Embalagens Vazias (Inpev), recolheria e incineraria o material. Segundo Carla, em 230 municípios do Paraná foram contabilizados 630 toneladas desses produtos nas propriedades. Somente na região de Cornélio Procópio, que abrange 23 municípios, foram totalizadas 100 toneladas.
Carla relatou que a cobrança por parte dos agricultores é praticamente diária para que recolham os produtos. Segundo ela, muitos deles não conseguem vender a propriedade ou obter o certificado de agricultura orgância por conta do passivo ambiental. ''Acho que esse é um dos problemas mais urgentes para a região'', avaliou. A agrônoma afirmou que o investimento necessário para que o Governo faça o recolhimento e a armazenagem temporária do produto em todo o Paraná é de aproximadamente R$ 2,3 milhões.
O presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia do Paraná, Hermas Brandão Junior, afirmou que o Governo do Estado está elaborando uma nova lei para regulamentar o uso de agrotóxicos, na qual deve constar o procedimento para transporte desses agrotóxicos. Segundo ele, ainda não há previsão de quando o material será retirado das propriedaes. ''Estamos conversando com técnicos da Secretaria da Agricultura para levarmos esse problema ao governor do Estado para resolver o problema o mais rápido possível'', argumentou. (M.F.)





