Um setor industrial que não experimenta crescimento este ano, é o de cimento, que na comparação de janeiro a setembro com o mesmo período do ano passado, registrou queda de 1,67%, surpreendendo os fabricantes. ‘‘Todo mundo fala em crescimento da economia, mas aqui na área do cimento, não há crescimento algum’’, afirmou o diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), João Batista Fiuza.
Ele entende que ‘‘o setor de cimento é fundamental para se saber se a economia anda bem. Tanto o consumo formiguinha do cimento, aquele que é feito pela população, que compra individualmente seus sacos de cimento, como os governos com a realização de obras públicas’’.
O consumo formiguinha, que representa 50% das compras de cimento no País está indo devagar e as obras públicas diminuíram sensivelmente, mesmo o País estando em um ano eleitoral. ‘‘É estranho isto, mas está acontecendo isto mesmo, uma redução nas obras públicas no País’’, afirmou o executivo.
Fiuza estimou que se poderá fechar o ano com uma produção de cimento pouco inferior aos 40 milhões de toneladas alcançadas no ano passado, volume que foi considerado um recorde histórico no setor cimenteiro nacional.
Para se ter uma idéia da preocupação de Fiuza, no mês de setembro a produção de cimento foi 7,19% inferior ao de igual período de 1999. Foram produzidas em setembro um total de 3,270 milhões de toneladas de cimento. O que se produz é o que se vende no setor de cimento. Não dá para fazer grandes estoques, pois o produto é perecível.
O preço do cimento, segundo o SNIC, está estável, pois não dá para se praticar ajustes de preços necessários, com o mercado parado. ‘‘Se aumentar o preço aí é que não se vende mesmo. Foram feitos alguns ajustes, mas que não permitiram repasses de preços em algumas matérias-primas, como é o caso do óleo combustível, que teve um ajuste de mais de 200% este ano e tem um peso ponderável sobre o preço do cimento’’, explicou Fiuza.
De acordo com o diretor executivo do SNIC há sem dúvida uma preocupação muito grande por parte do empresariado com a queda nas vendas, pois ‘‘enquanto se afirma por aí que a economia está aquecida, nós aqui não sabemos onde está este aquecimento, pois um setor importante como o nosso teve uma queda de vendas de quase 2% em 2000’’, concluiu João Batista Fiuza.

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