São Paulo - A indústria cervejeira nacional, que no ano passado amargou um recuo de 2,5% no volume de vendas, deve concluir 2004 com um crescimento de 3% a 3,5%, segundo projeções do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Embora aquém das metas divulgadas em fevereiro, quando a entidade previa um crescimento de 4,5%, a estimativa é comemorada pelo setor, já que este poderá ser o melhor resultado desde 2001.
''Desde que alcançamos, em 1995, a marca dos 8 bilhões de litros, não conseguimos mais superá-la, pois oscilamos nos últimos tempos momentos de estabilidade com períodos de recuo de vendas'', comenta o superintendente do Sindicerv, Marcos Mesquita. ''Se mantidas as condições atuais, devemos entrar, a partir de 2005, em um ciclo de crescimento sustentável, com expansões anuais de 4% a 4,5% no volume de vendas.''
O avanço do mercado cervejeiro este ano deve-se, segundo o executivo, a fatores como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a melhoria de renda, a queda do desemprego e o aumento no nível de investimentos no País, aliados ao verão - que promete ser quente. Esses fatos também servem de base para as expansões dos próximos exercícios fiscais.
Mesquita conta que 2004 começou com resultados negativos, que foram revertidos a partir de agosto, quando a indústria cervejeira começou a sentir a melhora das condições macroeconômicas do País. Segundo dados da ACNielsen, o setor vinha amargando, de janeiro a agosto, um recuo de 2,5% ante o desempenho de igual período de 2003. Em contrapartida, a indústria cervejeira registrou um crescimento de 16% em setembro e de 11% em outubro, quando comparados com os respectivos meses de 2003.
Pela percepção do executivo do Sindicerv, que ainda não tem em mãos a última pesquisa do instituto de pesquisa, o desempenho da indústria cervejeira em novembro deve ter sido de 6% a 7% melhor do que o do ano passado, o que garantirá o crescimento projetado para 2004.
Verão Mesquita lembra que o período de outubro a março, que abrange os meses mais quentes do ano, chega a responder por 65% do volume de cerveja comercializado pelo setor. Só o trimestre que vai de dezembro a fevereiro concentra 35% das vendas, atreladas à disponibilidade de renda do consumidor e ao calor. ''Daí a nossa previsão ser a mais otimista dos últimos três anos'', explica Mesquita.
O executivo lembra que essas condições favoráveis formam uma plataforma para que o setor consiga elevar o consumo per capita de cerveja no Brasil, que é de 47,3 litros por habitante/ano. Mesquita reitera que a questão renda é tão importante neste ponto que no Sudeste, por exemplo, o consumo per capita é de 90 litros/ano, enquanto no Nordeste não chega a 30 litros/ano. Para efeitos de comparação, na Venezuela este número chega a 70 litros/ano, nos Estados Unidos beira os 85 litros/ano e na Europa passa de 120 litros/ano.

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