Setor calçadista prevê um aumento nas demissões
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Paula Puliti<br> Agência Estado 
São Paulo A cadeia produtiva do setor calçadista no País, que emprega cerca de 1 milhão de trabalhadores, pode começar um movimento mais forte de demissões em um ou, no máximo, dois meses. De acordo com o empresário Heitor Klein, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), essa é a expectativa do setor caso não haja alteração na política econômica.
Apesar da forte queda na demanda doméstica, os empresários têm conseguido evitar grandes cortes de pessoal por conta das exportações - as vendas externas absorvem entre 25% e 30% da produção. A partir de agora, entretanto, os calçadistas passam a formar os preços para as exportações com uma taxa de câmbio que seria amplamente desfavorável ao setor, em torno de R$ 3,00. ''Para nosso setor, especificamente, o ideal é um dólar cotado entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Com o câmbio no atual nível, fechar um preço competitivo fica muito difícil'', reclama Klein.
Já em abril, as exportações tiveram um recuo de 12%. A valorização do real teve impacto, mas não foi a única razão para a queda. ''Tivemos retração na demanda externa também por causa das incertezas em relação ao cenário político e econômico internacional, a guerra do Iraque e uma certa estagnação nos países importadores'', explicou o executivo. Os contratos de exportação são fechados até três meses antes dos embarques.
Klein afirma que os juros altos têm impactos diferenciados conforme o setor da economia. Por isso, defende que o Banco Central utilize esse ''remédio'' (usando palavras do ministro da Fazenda, Antônio Palocci) com muito critério. Pela ótica do governo, os juros altos são o ''remédio'' correto. ''Mas, considerando o impacto social, o remédio já é excessivo'', afirmou.


