São Paulo - Quem ficou atento à safra de balanços de 2004 teve a chance de fazer boas compras na Bolsa de Valores de São Paulo. O setor bancário, destaque pelos recordes de lucro que bateu no ano passado, aparece como o de melhor desempenho na Bovespa em 2005.
Um estudo elaborado pela consultoria Economática mostra que as ações dos bancos, até o último dia 4, tinham valorização média anual acumulada de 14,81%. E isso com o mercado acionário enfrentando um momento não muito bom. No período, o Ibovespa -índice que reúne as 55 ações de maior liquidez do mercado- registrou baixa de 2,76%. A ação preferencial do Bradesco aparece como destaque, tendo subido 29,18% desde o começo de 2005 (até o dia 4).
A instituição financeira registrou em 2004 um lucro líquido recorde de R$ 3,06 bilhões, resultado 32,7% superior ao registrado no ano anterior. ''Com os juros elevadíssimos praticados no País, os bancos têm apresentado resultados consideráveis. E as ações do setor têm refletido o forte desempenho das instituições'', afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Sênior.
Dentre os grandes bancos, a ação PN do Itaú Holding também aparece com desempenho em destaque, acumulando alta de 14,08% no período. Na semana passada, o Itaú informou que seu lucro cresceu 30% no primeiro trimestre de 2005 em relação a igual período do ano passado, dando continuidade ao bom desempenho do setor bancário.
Mas, mesmo com a expectativa de que os bancos continuem apresentando excelentes resultados em seus balanços, analistas avaliam que é bom ter cuidado na hora de comprar ações de instituições financeiras no atual momento, uma vez que esses papéis já subiram bastante no ano. ''Sempre é arriscado correr atrás de ações que já subiram muito'', explica Ike Rahmani, diretor da Tática Asset Management.
Em baixa - Já o setor de celulose e papel amarga a lanterna no mercado acionário doméstico. A baixa dos preços no mercado internacional somada ao enfraquecimento da moeda americana diante do real minou as expectativas para o setor no momento.
O resultado foram as expressivas desvalorizações de papéis de empresas do segmento na Bovespa neste ano. Na média, as empresas de papel e celulose têm perda de 23,68% acumulada no ano.
A ação preferencial da Votorantim Celulose e Papel registrou perdas de 31,55% durante o período considerado pelo estudo da Economática. ''As ações de empresas de papel e celulose acabaram ficando meio esquecidas. Essas ações apanharam muito, com os preços das commodities em baixa lá fora'', diz Rahmani. ''Mas acho que agora é um bom momento para comprar as ações do setor, que têm tudo para dar um bom retorno no longo prazo'', avalia.
Real forte - Desde o fim do ano passado, o setor exportador tem reclamado do efeito perverso do fortalecimento do real para suas receitas. Como a moeda americana vale menos do que anteriormente, ao reverterem suas receitas em dólar para reais, exportadores vêem seus ganhos diminuírem.
Apesar dessa perda, as ações de siderúrgicas e de empresas de metalurgia têm apresentado desempenho médio quase tão bom quanto o bancário. Dentre as ações do setor que participam do Ibovespa, o papel ON (ordinário, com direito a voto) da Companhia Siderúrgica Nacional se destaca com valorização de 6,77% em 2005 (até o dia 4). A ação PNA da Usiminas subiu 3,44% no período.

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