Setor avícola prevê cenário otimista
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O setor avícola do Paraná prevê um cenário mais otimista com o início da colheita da safra de milho que deve começar dentro de 20 dias. No final de novembro de 2007, as associações que representam o setor de avicultura recomendaram aos produtores que reduzissem em até 30% a produção até março deste ano, pelo temor de que faltasse milho para alimentar os animais. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, houve redução de produção no Estado desde dezembro, o que trouxe prejuízos para os produtores. No entanto, ele disse que os dados ainda estão sendo fechados e devem ser divulgados no começo de fevereiro.
Segundo ele, a maioria das 31 empresas do setor avícola do Estado reduziu a produção e algumas não fecharam novos contratos de exportação de produtos como coxa e sobrecoxa, produtos considerados destaque em volume de vendas para o mercado externo. A produção deve ser retomada dentro de 30 a 45 dias e a previsão é que o volume de janeiro fique de 1% a 2% menor em relação ao mesmo mês do ano passado. Martins destacou ainda que alguns investimentos foram paralisados ou reduzidos para serem retomados a partir de março.
''A preocupação hoje é que nenhuma política foi traçada para que se permita a importação de milho com a mesma facilidade da exportação'', afirmou. Segundo ele, em alguns locais no Estado como no Noroeste e Sudoeste é conveniente importar milho. No ano passado, o Brasil exportou 11 milhões de toneladas do produto e a previsão para 2008 é que este volume seja superior.
Entre os fatores que trouxeram a escassez do produto estão o atraso que tinha ocorrido no plantio do produto por causa da estiagem e a grande demanda no mercado internacional para a utilização do grão na produção de etanol.
Em dezembro, os avicultores pagavam de R$ 28 a R$ 29 a saca de milho. Hoje, este preço caiu para R$ 25. Ele explicou que muitos produtores começaram a colocar o estoque no mercado, os abatedouros alojaram menos aves e reduziram um pouco a voracidade de mercado internacional pelo etanol. Estes fatores fizeram o preço do milho cair.
Segundo ele, o preço do frango de dezembro até agora está em queda e deve manter a estabilidade. Hoje, é vendido para o mercado atacadista por R$ 2,30 o quilo. ''O pior já passou'', desabafou Martins. Ele acredita que, com a entrada da safra, a saca fique no patamar de R$ 20 a R$ 22 para os avicultores.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), a produção de milho colhido na safra de verão deve ser de 8,930 milhões de toneladas, 3% a mais que na safra anterior, com uma área plantada de 1,377 milhão de hectares, 5% a mais que no ano passado.
O milho safrinha, que é colhido a partir de junho, deve ter uma produção de 6,475 milhoes de toneladas, 18% a mais que na safra anterior. A área plantada deve ser de 1,607 milhão de hectares, o que representa um aumento de 9%.
O engenheiro agrônomo do Deral, Otmar Hubner, informou que a média de preço pago ao produtor no Estado é de R$ 22,43 a saca. Em dezembro, a cotação estava em R$ 24,94. ''Com a colheita, é normal o preço cair'', disse. Ele acredita que não haverá falta de milho para a avicultura.


