Curitiba - Uma reunião de avicultores e trabalhadores do setor realizada ontem na Delegacia Regional do Trabalho do Paraná (DRT-PR) oficializou um termo de recomendação que aponta alternativas para as demissões que vêm ocorrendo no setor. A medida ainda depende de negociação entre patrões e empregados.
Entre as alternativas estão a redução da jornada de trabalho com proporcional diminuição do salário, suspensão contratual parcial de dois a cinco meses custeada com uma bolsa qualificação e compensação das horas trabalhadas através de banco de horas.
Segundo o chefe da Seção de Relações do Trabalho (Seret) da DRT, Fabio Lantmann, os trabalhadores apresentaram a proposta de uma negociação coletiva e os empregadores disseram que as demissões do setor são uma questão pontual em função da redução das exportações provocada pela gripe aviária.
A empresa C.Vale, de Palotina, por exemplo, já demitiu 260 trabalhadores e diminuiu em 20% o abate de aves. A Copacol de Cafelândia está propondo a redução salarial de 20% para evitar demissões.
O presidente da Federação dos Trabalhadores em Cooperativas no Estado do Paraná (Fetracoop), Mauri Viana, disse que os funcionários do setor estão passando pelo ''terrorismo da empregabilidade para que aceitem a demissão e a redução de salário''. Segundo ele, o setor teve lucro nos últimos anos e agora, os trabalhadores que serão prejudicados com as demissões.
Nos últimos 40 dias, foram 500 demissões. A previsão de Viana é que se não for feito nada podem ocorrer mais 5 mil demissões nas cooperativas do Paraná que hoje empregam 25 mil trabalhadores. ''Estamos dispostos a negociar mas não vamos aceitar redução de salário'', disse.
O superintendente da Ocepar, José Roberto Ricken, afirmou que o problema de demissões não é só no setor de aves. ''O setor como um todo passa por crise'', disse. Uma pesquisa realizada com o setor agropecuário do Paraná mostrou que 2,88% das empresas vão contratar, 36% demitir e 54% devem manter os empregos.

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