Setor avícola começa a recuperar preço
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segunda-feira, 10 de julho de 2000
Benê Bianchi De Londrina 
Depois de passar por uma séria crise, o setor avícola parece estar começando a respirar mais aliviado. A decisão tomada em março de desalojar as matrizes entre 58 e 60 semanas, quando em situação normal elas são abatidas com 68 a 70 semanas, já dá os primeiros resultados. O setor espera para até o final desta semana, ou o mais tardar semana que vem, o que eles chamam de ajuste de preço.
Segundo Paulo Muniz, presidente da Associação de Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar) e vice-presidente da União Brasileira de Avicultores (UBA), nas principais praças há indícios de que o preço chegue a R$ 1,30/ R$ 1,40 o quilo no atacado. Para o consumidor, o preço deve saltar para R$ 1,60 o quilo. Estamos recuperando o preço praticado no início do Plano Real, há seis anos, observa Muniz.
Com o abate das matrizes mais cedo, a produção no setor já caiu 20% no país. De uma expectativa de produção de 300 milhões/mês para julho, os novos números já são de cerca de 275 milhões/mês, com a estimativa de chegar a 250 milhões/mês, que são os mesmos números do ano passado.
A crise no setor começou no final de 99, ocasionada pela associação de alguns fatores. Um deles, reconhece Muniz, foi a falta de planejamento do investidor/produtor, que se encantou pelas facilidades de financiamentos para o setor. Com isso, foram implementados novos e grandes projetos.
O setor acreditou que o crescimento da economia pudesse absorver a produção e, por outro lado, encontrou amparo oficial para financiamento, comenta. Paralelamente ao aumento da produção, houve uma queda na produção de milho, principal insumo do setor. A falta de perspectivas de importação de milho também contribuiu para o abate das matrizes.
Também não havia e continua não havendo perspectiva de novos mercados externos. A concorrência é acirrada e, segundo Muniz, há países com muito mais poder de fogo, como é o caso dos Estados Unidos, que têm vantagens que facilitam a competição (financiamentos, subsídio). Além disso, não há nenhum fator novo que possa levar à perspectiva de novos mercados. Um fator novo poderia ser a China importanto e exportando. Se isso ocorresse, certamente os chineses comprariam do Brasil, mas não temos perspectivas imediatas disso ocorrer.


