Depois de passar por uma séria crise, o setor avícola parece estar começando a respirar mais aliviado. A decisão tomada em março de desalojar as matrizes entre 58 e 60 semanas, quando em situação normal elas são abatidas com 68 a 70 semanas, já dá os primeiros resultados. O setor espera para até o final desta semana, ou o mais tardar semana que vem, o que eles chamam de ajuste de preço.
Segundo Paulo Muniz, presidente da Associação de Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar) e vice-presidente da União Brasileira de Avicultores (UBA), nas principais praças há indícios de que o preço chegue a R$ 1,30/ R$ 1,40 o quilo no atacado. Para o consumidor, o preço deve saltar para R$ 1,60 o quilo. ‘‘Estamos recuperando o preço praticado no início do Plano Real, há seis anos’’, observa Muniz.
Com o abate das matrizes mais cedo, a produção no setor já caiu 20% no país. De uma expectativa de produção de 300 milhões/mês para julho, os novos números já são de cerca de 275 milhões/mês, com a estimativa de chegar a 250 milhões/mês, que são os mesmos números do ano passado.
A crise no setor começou no final de 99, ocasionada pela associação de alguns fatores. Um deles, reconhece Muniz, foi a falta de planejamento do investidor/produtor, que se encantou pelas facilidades de financiamentos para o setor. Com isso, foram implementados novos e grandes projetos.
‘‘O setor acreditou que o crescimento da economia pudesse absorver a produção e, por outro lado, encontrou amparo oficial para financiamento’’, comenta. Paralelamente ao aumento da produção, houve uma queda na produção de milho, principal insumo do setor. ‘‘A falta de perspectivas de importação de milho também contribuiu para o abate das matrizes.’’
Também não havia e continua não havendo perspectiva de novos mercados externos. A concorrência é acirrada e, segundo Muniz, há países com muito mais poder de fogo, como é o caso dos Estados Unidos, que têm vantagens que facilitam a competição (financiamentos, subsídio). Além disso, não há nenhum fator novo que possa levar à perspectiva de novos mercados. ‘‘Um fator novo poderia ser a China importanto e exportando. Se isso ocorresse, certamente os chineses comprariam do Brasil, mas não temos perspectivas imediatas disso ocorrer.’’

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