Setor automotivo puxa queda na produção industrial em 2015
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2016
Bruno Villas Bôas<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - Sob impacto da retração do setor automotivo, a produção da indústria brasileira teve queda de 8,3% no ano passado. Foi o pior desempenho da atual série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada em 2003. A crise no setor industrial se espalhou por variados ramos e provocou reduções na produção de oito em cada dez itens industriais pesquisados pelo IBGE. Dos 805 produtos industriais investigados, 78,3% tiveram queda de produção em 2015 na comparação com o ano anterior. São desde televisores e automóveis a bens de consumo considerados mais essenciais, como alimentos. Esse percentual foi o maior desde 2013, quando o IBGE passou a calculá-lo, superando os índices registrados em 2014 (63,7%) e 2013 (47,8%), informou André Macedo, gerente da coordenação de indústria do IBGE.
"Foi um ano [o de 2015] caracterizado por quedas intensas e também de perfil disseminado. A queda atingiu desde os bens mais supérfluos aos bens essenciais", disse Macedo, durante coletiva ontem. Entre os produtos que ainda cresciam em 2014 e que sucumbiram à crise no ano passado estão os dos ramos de bebidas (-5,9%) e farmacêuticos (-12,2%). Também passaram a recuar itens do ramo de perfumaria e sabões (-3,8%). No setor de automóveis, 97% dos 37 produtos acompanhados pelo IBGE tiveram queda na produção. No ramo de alimentos, um dos maiores da pesquisa em número de itens, a queda ocorreu em mais de 65% dos produtos.
Dos poucos produtos acompanhados pelo IBGE com aumento de produção no ano passado estava o minério de ferro. Segundo Macedo, o desempenho ficou mais negativo por fatores como o baixo nível de confiança dos empresários e das famílias, o que inibe, respectivamente, decisões de investimentos e de consumo de produtos menos essenciais. "Essas famílias são afetadas pelo aumento do desemprego, renda real do trabalhador em queda, crédito mais escasso. Além, é claro, do aumento da inflação. Isso produz um comportamento negativo no comércio e afeta a indústria", disse ele.


