Setor automotivo está imune à turbulência
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sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com a crise imobiliária já anunciada nos EUA, o setor automotivo brasileiro ainda não teme a influência de um eventual aumento dos juros bancários, o que poderia reduzir o número de financiamentos de veículos.
A opinião é do presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Antonio Reze, que concedeu entrevista coletiva ontem à imprensa durante o segundo dia do XVII Congresso da Fenabrave, que se encerra hoje em Curitiba. Atualmente, cerca de 85% das vendas são feitas através de financiamento. Ele explica que ainda considera ''prematura'' qualquer análise sobre a influência da crise norte-americana, fortalecida no início do mês, mas revela que o otimismo continua em relação às vendas de veículos.
''O mercado continuará crescendo em 2007 e em 2008 também. Não sentimos ainda que com a crise haverá uma interrupção abrupta no crescimento do setor. É claro que ainda não sabemos o tamanho e a extensão da crise, mas já se pode prever que ela não será revolucionária'', destaca ele. Reze acredita que, mesmo a longo prazo, levando em conta a possibilidade de um pequeno aumento dos juros bancários, a influência da crise no setor seria ''imperceptível''. Segundo ele, um crescimento de 10% ao ano já seria positivo. ''Significa crescimento com estabilidade. Ou seja, as montadoras têm tempo para se adaptarem. Para o setor, é bom que o Brasil não cresça tão rapidamente assim''.
Reze alertou ainda que, levando em conta a fase atual, não se poderia concluir que uma eventual redução futura nas vendas tenha ligação com a crise. ''Uma redução não significa, necessariamente, uma perda. Depois que se compra muito há uma esgotamento natural da capacidade de consumo'', sugere ele. Na opinião do presidente da Fenabrave, os números positivos hoje seriam consequência da estabilidade econômica e do aumento do poder aquisitivo, entre outros fatores.
Dados da Fenabrave revelam que o crescimento do setor automotivo em agosto, em comparação a julho, deverá ser de 12%, incluindo autos, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Já a última estimativa de crescimento para todo o ano de 2007, feita no mês passado, está em 17%. O percentual revela otimismo do setor em comparação às estimativas feitas em outros períodos para o ano de 2007. Em dezembro de 2006, a estimativa para 2007 era de 9,5%. Em março de 2007 já era de 11,12%, atingindo 17% em julho.
Perfil - Durante a coletiva, Reze também destacou os números levantados pela Fenabrave referentes ao perfil do proprietário do veículo. Ele considerou significativo o fato do percentual de pessoas físicas ficar próximo do percentual de pessoas jurídicas que compram veículos. Em julho de 2007, 47,21% dos veículos vendidos foram comprados por pessoas físicas, e 52,79% por pessoas jurídicas. Na primeira quinzena de agosto os percentuais se aproximam ainda mais: 49,70% por pessoas físicas e 50,30% por pessoas jurídicas.
''A partir daí a gente pode analisar que a venda foi motivada pelas características do produto. Porque a pessoa física compra com emoção. A pessoa jurídica compra racionalmente'', disse ele. O número de pessoas físicas que acaba comprando como pessoas jurídicas (via leasing, por exemplo) não foi quantificado pelo levantamento da Fenabrave. Reze afirma que se trata de um percentual ''mínimo'', e que não teria interferência na conclusão final dos dados. Outra informação que a Fenabrave ainda precisa quantificar diz respeito ao volume da compra realizada pela pessoa jurídica.


