Curitiba - A crise financeira dos Estados Unidos já começa a afetar o setor automotivo no Brasil. Algumas montadoras anunciaram férias coletivas adiantadas no País, inclusive no Paraná. O aperto no crédito ao consumidor também provoca encalhe no mercado de veículos usados. Um levantamento nacional realizado pela MSantos, agência de varejo automotivo, mostra que só nas concessionárias, há mais de um milhão de seminovos em estoque. Somente em outubro, o setor teve queda de 30% nas vendas no País. A mesma pesquisa aponta que, o número de usados nas revendas do Brasil está 50% acima do normal. De acordo com informações da Assovepar (Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Paraná), no Estado, o estoque está de 20% a 25% acima da normalidade.
O diretor de relações públicas e serviços da Assovepar, Gilberto Deggerone, disse que a queda na demanda provocou uma redução dos preços de 10% a 12% nos seminovos e usados. Segundo ele, a redução das vendas poderá ser medida nos próximos 15 dias. Na última semana, as taxas de juros para compra de usados estão de 14% a 15% mais caras e a taxa mensal passou de 1,70% para 1,95%.
Na última sexta-feira, a Volkswagen anunciou férias coletivas para os trabalhadores do terceiro turno da fábrica de São José dos Pinhais a partir de 3 de novembro. Cerca de 900 funcionários ficarão em casa durante dez dias. A empresa explicou que a parada tem como objetivo adequar o processo produtivo.
Além da unidade do Paraná também entram em férias coletivas os metalúrgicos da Volks da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) de 24 de dezembro deste ano a 4 de janeiro de 2009. A montadora informou que em São Bernardo são férias padrão mas, no Paraná, o descanso dos trabalhadores foi antecipado.
Por enquanto, a Volks pretende continuar com o ritmo de produção normal. De janeiro a setembro, a marca vendeu 458.454 veículos no País, volume 20,5% superior ao mesmo período de 2007. Hoje, a unidade do Paraná é responsável pela produção de 800 carros por dia dos modelos Golf, Fox e CrossFox. A fábrica de São José dos Pinhais tem um quadro de 3.600 funcionários.
Na última segunda-feira, foi o primeiro dia de férias de 8,6 mil trabalhadores da General Motors do Brasil em três unidades da montadora: São Caetano do Sul, Mogi das Cruzes e São José dos Campos. Em Manaus 7 mil trabalhadores de várias fábricas ficaram em casa, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.
Na última sexta-feira, os trabalhadores assistiram a um vídeo gravado pelo presidente da General Motors do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila. No material, Ardila explicou os motivos das férias coletivas. ''Por causa da queda das exportações que estamos tendo pela situação de alguns de nossos clientes no México, África do Sul, Venezuela e Argentina seria importante para nós reduzirmos razoavelmente a produção. Fomos, como vocês sabem, os primeiros a tomar a decisão''.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul Aparecido Inácio da Silva, diz que o clima é de apreensão. ''Não resta dúvida que isso é altamente desconfortável e ficamos preocupados, mas consideramos que a GM saiu na dianteira e se preparou para uma situação emergencial'', afirmou.
Segundo ele, se essa iniciativa não fosse tomada agora, medidas mais drásticas poderiam ser tomadas no futuro. Em Manaus, a previsão é que mais de 10 mil metalúrgicos entrem em férias coletivas até o fim do mês. Só o grupo Moto Honda, um dos maiores do pólo industrial, adiantou férias coletivas para 5 mil trabalhadores, da Moto Honda, Honda Lock e Honda Componentes.

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