Setor atacadista fecha 1º semestre em queda
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez nos últimos dez anos, o setor atacadista distribuidor, que congrega cerca de 3,5 mil empresas no País, fechou o primeiro semestre em queda. O faturamento caiu 1,34% em comparação com o primeiro semestre do ano passado. O resultado, segundo o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), Geraldo Eduardo da Silva Caixeta, é reflexo dos baixos preços dos produtos, principalmente nos três primeiros meses do ano, quando a queda chegou a 3,76%.
O setor começou a reagir a partir de maio, quando houve uma retomada no faturamento de 5,35% em relação ao mês anterior. ''Queda de faturamento não significa queda de vendas'' disse, ressaltando que é uma experiência nova para o comércio trabalhar em um cenário de deflação, no qual há aumento no volume de vendas, mas queda no faturamento.
Com os números negativos do primeiro semestre, o setor, que antes esperava crescer até 8% este ano, baixou sua perspectiva de crescimento real para 4% a 5%. Em 2005, o segmento atacadista distribuidor teve crescimento real de 6% e faturou R$ 86,5 bilhões (preços de varejo). ''Os números de 2006 ainda mostram um desempenho bastante positivo'', disse Caixeta.
Esse otimismo vem da grande ramificação do segmento em todo País. O setor atacadista tem mais de 65 mil representantes autônomos, uma frota de cerca de 50 mil caminhões e atende a mais de 900 mil pontos de venda no Brasil. ''Nós vendemos mais do que os supermercados'', diz. Segundo dados da Abad, as vendas de 2005 representaram 58% do mercado de abastecimento brasileiro.
Parte desses empresários da área atacadista e alimentícia participa, entre hoje e sexta-feira, da 26 Convenção Anual do Comércio Atacadista Distribuidor e Sweet Brazil International, que acontece no ExpoTrade, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A feira, a maior da América Latina na área, conta com 250 expositores e expectativa de receber 30 mil visitantes.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Balas e Derivados (Abicab), Getúlio Ursulino Netto, não sabe precisar a quantidade de negócios a serem fechados. O setor de balas, chocolates, confeitos e amendoim lança 150 novos produtos na feira. Segundo Ursulino Netto, os atacadistas e distribuidores são responsáveis por 80% das vendas de balas e 45% dos chocolates no Brasil. ''O restante são os supermercados'', afirmou.
Além dos contatos nacionais, a Abicab também realiza rodadas de negócio com 22 compradores internacionais. O Brasil exporta, hoje, para 150 países. No ano passado vendeu US$ 323 milhões para o exterior. O País é também o terceiro maior mercado de balas e confeitos, com uma produção de 338 mil toneladas em 2005, e o quinto em chocolates, com 222 mil toneladas produzidas no ano passado.


