Rio de Janeiro - Choques climáticos no setor agrícola afetaram os preços no atacado e no varejo e impulsionaram a alta de 1,46% no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio, taxa acima dos 1,15% apurados em abril. O resultado, o maior desde março do ano passado, ficou acima também das previsões dos analistas ouvidos pela Agência Estado (entre 1,12% e 1,41%). Mas para o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a aceleração é transitória. ‘‘Os itens que mais impactaram o indicador foram causados por problemas climáticos. Estes itens em um mês sobem muito (de preço), mas no mês seguinte diminuem’’, explicou.
  O Índice de Preços por Atacado (IPA-DI) passou de 1,57% para 1,71% de abril para maio, influenciado pela alta de 2,71% nos preços dos produtos agrícolas (0,80% em abril). Esta aceleração não foi acompanhada pelos produtos industriais, que recuaram para 1,32%, ante os 1,86% de abril. ‘‘Este recuo foi um bom sinal’’, disse, explicando que os itens industriais sofrem influência do dólar.
  A alta nos preços dos alimentos também influenciou o varejo. Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) passou de 0,31% para 0,71% no mesmo período. O grupo Alimentação foi o que provocou a aceleração, subindo para 1,29% (0,12% em abril).
  O IGP-DI acumula elevações de 5,54% no ano; e de 7,97% em 12 meses. O índice acumulado é usado para indexar contratos e algumas tarifas administradas.
  
IPCA - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve variação positiva de 0,51% no mês de maio na média nacional. Com o resultado, o IPCA acumula alta de 2,75% nesse ano. Em 2003, no mesmo período, a variação foi de 6,8%. Nos últimos 12 meses, o IPCA aumentou em 5,15%. O item remédios foi o que teve a maior contribuição individual, com um aumento de 2,33% em maio. A alta no setor se deve ao reajuste concedido no dia 31 de março pela Câmara de Regulamentação do Mercado de Medicamentos.
  Porto Alegre (RS) foi a capital com a maior alta de preços - 0,89% em maio. Curitiba apareceu como a segunda capital com maior variação positiva, fechando o mês com alta de 0,76% (Colaborou Luciana Pombo)

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