Curitiba - A TAM pretende demitir até mil empregados como tentativa para contornar as pressões de custos provocadas pela alta do dólar e do combustível. O anúncio foi feito após a reunião da empresa com o Sindicato Nacional dos Aeronautas, que aconteceu ontem. O ajuste de funcionários ocorrerá na tripulação que envolve pilotos, copilotos e comissários. A empresa tem hoje mais de 53 mil funcionários.
Em comunicado, a companhia explicou que o ajuste é consequência da redução da oferta de voos em 12% para fazer frente ao impacto dos custos. Segundo a nota, a mudança vai adequar o quadro de funcionários à já reduzida operação em vigor e não afetará os voos programados. Até ontem, a companhia ainda não tinha informações do número de demissões que devem ocorrer no Paraná.
Este caso da TAM é mais um capítulo da crise que tem afetado o setor de aviação no Brasil. Depois de uma década de forte expansão, o setor aéreo passa por dificuldades, já que a demanda não cresce na mesma velocidade que a de anos anteriores. Além disso, devido aos custos em moeda estrangeira, as companhias aéreas foram fortemente impactadas pela recente alta do câmbio.
Uma solução buscada pelas aéreas foi reduzir a oferta, com o objetivo de aumentar a taxa de ocupação (proporção de assentos por passageiros) dos voos e reduzir os prejuízos que, em 2012, chegaram a R$ 1,2 bilhão, crescimento de 272% em relação ao ano anterior.
No Paraná, os quatro aeroportos administrados pela Infraero - Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e o do Bacacheri, na capital - também refletem a crise do setor em voos e número de passageiros. De janeiro a junho deste ano, o número de pousos e decolagens foi de 77.328 contra 85.460 no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 9,51%. No primeiro semestre do ano, foram 4,455 milhões de passageiros contra 4,761 milhões de janeiro a junho de 2012, o que significa uma redução de 6,42%.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mesmo com a demissão de funcionários, a TAM é obrigada a honrar os seus compromissos com os consumidores que já adquiriram passagens aéreas da companhia. Caso algum voo seja cancelado, o cliente tem direito a ser acomodado em outra companhia ou receber a devolução do dinheiro, de acordo com a Resolução 141 de 2010 da Anac.
O passageiro que se sentir prejudicado por qualquer companhia aérea ou tiver seus direitos desrespeitados deve procurar a empresa aérea contratada. Se as tentativas de solução do problema pela empresa não apresentarem resultado, o usuário poderá encaminhar a demanda à Anac e aos órgãos de defesa do consumidor e ao Poder Judiciário. A abertura de procedimento administrativo na Anac não impede o passageiro de buscar eventuais indenizações por danos morais ou materiais. (Com agências)

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