Curitiba - A balança comercial do setor têxtil e de confecção registrou déficit de US$ 349 milhões de janeiro a abril deste ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Por outro lado, foi apontada elevação nos preços médios em dólar por quilo na importação de produtos de vestuário, movimento ligado ao aperto nos controles alfandegários. O maior rigor na fiscalização da Receita Federal nas importações de artigos têxteis e de vestuário foi desencadeado pela Operação Panos Quentes, iniciada no último trimestre de 2006.
Em abril deste ano, antes da nova etapa da Operação Panos Quentes, o preço médio de importação dos artigos de vestuário foi de US$ 9,85 por quilo. Em maio, o preço médio saltou para US$ 14,32 por quilo, aumento de 45,4% em apenas um mês. Mas se for considerado o período de maio de 2006 contra maio de 2007, o aumento total foi de 99%. Os números comprovam a importância da fiscalização para que se tenha um comércio justo que não prejudique os investimentos e os empregos no Brasil.
A associação tem se baseado em três frentes de trabalho - redução dos custos de produção com base na desoneração tributária, combate ao comércio ilegal e avanço nas negociações internacionais que gerem acesso preferencial aos grandes mercados mundiais.
Medidas compensatórias - Os empresários do setor têxtil e de confecção aguardam que o governo federal adote as outras medidas compensatórias além das anunciadas na semana passada para aliviar os setores mais afetados pelo desequilíbrio na concorrência. A elevação da tarifa de importação (TEC) de 20% para 35% espera aprovação dos ministros dos países que compõem o Mercosul. Outra medida que está em estudos pelo governo é uma forma de desonerar a folha de pagamento das empresas que fazem uso intensivo de mão-de-obra no processo produtivo, em setores como os de calçados, móveis, construção civil, têxtil e de vestuário.
A associação acredita que as medidas poderão melhorar o quadro do setor mas acredita que precisa haver complementação, principalmente, através de acordos internacionais com os principais mercados consumidores, como União Européia, Japão, Canadá e Estados Unidos. Por falta de acordo tarifário com os Estados Unidos, atualmente uma calça jeans brasileira paga 17% de tarifa, enquanto o mesmo produto produzido em países que têm acordo de acesso preferencial àquele mercado tem tarifa zero. (A.B.)

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