A liberação do preço do diesel na bomba anunciado pelo governo federal não deve provocar grande aumento no valor praticado atualmente, mas se houver um grande prejudicado, este será o setor agrícola. A opinião é das entidades de classe ligadas ao setor de combustíveis ouvidas ontem pela Folha.
Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, não há ‘‘clima’’ para grandes reajustes. O diretor executivo da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar), Sérgio Malucelli, também não acredita em aumentos substanciais.
Fregonese disse que a medida já estava sendo esperada, e a alteração no preço praticado deve ser pequena. ‘‘Não vejo muita animação para uma alta’’, opinou. Porém, segundo ele, a liberação pode dar um fôlego para a saúde financeira dos postos de gasolina localizados na margem das estradas. Segundo Fregonese, nos últimos seis anos, 89 postos desse tipo fecharam as portas no Estado. Para ele, o comportamento que os postos vão adotar é uma incógnita.
O diretor da Fetranspar disse acreditar que haverá uma concorrência sadia no setor, e os preços devem ser fixados próximos ao valor atual. Para Malucelli, como já houve aumento do combustível neste mês, de 6% no dia 7 de julho, dificilmente haverá alta. Na época, a Fetranspar fez um estudo sobre o impacto desse aumento no custo do frete. O levantamento apontou que seria necessário reajuste do frete entre R$ 0,00084 e R$ 0,00152 por tonelada/km.
A Federação de Agricultura do Paraná (Faep) afirmou que se houver aumento no valor do diesel, o setor produtivo vai ser bastante prejudicado, e as consequências poderiam ser sentidas já na colheita da safra de inverno. O gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa, disse que há um temor de que o preço do frete fique muito alto para o produtor rural do interior do Estado.

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