Setor acelera processo de concentração
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sexta-feira, 13 de março de 1998
Agência Estado 
A concentração de indústrias no setor de laticínios está caminhando a passos largos e em breve o Brasil estará vivendo a mesma experiência alemã. A previsão é do presidente do Conselho Nacional da Indústria de Laticínios (Conil), Carlos Humberto Carvalho. Há 20 anos existiam 300 cooperativas na Alemanha, hoje são 12, afirma. No Brasil, acrescenta, a Nestlé e a Parmalat já deram início ao processo há alguns anos, ganhando agilidade recentemente.
Para se ter uma idéia, de 1989 até 1996 a Parmalat adquiriu 14 laticínios espalhados por todo o País. A primeira aquisição se deu com a compra dos ativos da Fiorlat Ltda, uma pequena indústria produtora de manteiga e queijo, que nos anos seguintes agregou 22 fábricas em todo o País e aumentou o faturamento de US$ 38 milhões, em 1989, para US$ 910 milhões em 1995.
As aquisições da Nestlé, em comparação às da empresa italiana, foram mais modestas. Há 14 anos fez sua primeira compra adquirindo os ativos da Itasa, em Montes Claros (MG), onde produz leites líquidos, cremes evaporados e condensados. Em 94, comprou mais duas fábricas de leite em pó em Rialma e Goiânia, ambas em Goiás. Para o futuro, os planos da Nestlé são mantidos em segredo.
Parmalat A compra da Fiolart Ltda, em 89, deu início a uma estratégia de expansão que nos anos seguintes iria agregar 22 fábricas em todo País e aumentar o faturamento de US$ 33 milhões para US$ 910 milhões no ano seguinte. Com a decisão de industrializar leite B e C, a Parmalat comprou, em 1990, os ativos da Via Láctea e dos Laticínios Teixeira, em São Paulo, e dos laticínios Alimba e Lavisa, na Bahia. Com isso, entra na concorrência no mercado do leite in natura.
No ano seguinte a empresa incorporou os ativos de outros dois fabricantes de leite pasteurizado e queijos AFHA, do Rio de Janeiro, e Laticínio Santa Helena, de Minas Gerais. A Lacesa, do Rio Grande do Sul, e parte da Spam, do Rio de Janeiro, foram incorporadas em 93. Um ano depois, a Parmalat agregou ao seu patrimônio os ativos da Cilpe Ltda (PE) e laticínio Silvânia (GO), consolidando sua presença nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do País.
O ano marca ainda a entrada da marca na região Norte. A Parmalat comprou os ativos do laticínio Ouro Preto, em Rondônia, ampliou e modernizou suas instalações e fez investimentos na região para produção de leite longa vida. Para estender sua atuação a Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Piauí, a Parmalat adquiriu em 96 o Laticínio Betânia, do Ceará. Atualmente, a holding Parmalat Brasil é formada por duas empresas principais - a Yolat Indústria e Comércio de Laticínios e a Lacesa SA Indústria de Alimentos - e outras subsidiárias de menor porte.


