Sete mil metalúrgicos da Grande Curitiba estão em estado de greve
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Cerca de 7 mil trabalhadores de indústrias metalúrgicas, metalmecânicas e de máquinas da Grande Curitiba estão em estado de greve. Eles estão pressionando as empresas para abrir um canal de negociação em torno da campanha salarial deste ano, que reinvidica aumento real de 10,7%. De acordo com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, a mobilização está concentrando esforços nas empresas metalúrgicas e metalmecânicas de médio e grande porte, como estratégia para elevar a média de reajustes do setor.
Apesar da resistência das grandes empresas, a fabricante de peças New Hubner, com sede na Cidade Industrial, furou o bloqueio e foi a primeira empresa a negociar como sindicato dos metalúrgicos. Os 900 trabalhadores da empresa vão ter 17% de reajuste, sendo 15% agora e 2% a partir de julho de 2004. A proposta não atinge os 10,7% de aumento real, mas supera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), cuja variação já acumula 12,34% informou a assessoria do sindicato dos trabalhadores.
Além disso, a empresa concordou em reduzir a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais a partir de janeiro de 2004, o que corresponde a um aumento real de 5%. O piso salarial na New Hubner muda de R$ 450 para R$ 600, um aumento de 33%. Os diretores do Sindicato dos Metalúrgicos comemoraram a decisão da New Hubner e agora estão confiantes no sucesso das negociações com as demais empresas.
Na Bosch, empresa produtora de peças, não houve acordo e os 3,5 mil trabalhadores podem entrar em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. Ontem, a empresa formulou uma proposta que foi rejeitada por unanimidade: 1,5% de aumento real a ser pago em dezembro de 2004. Na Metalpar, outra fabricante de peças, os 250 trabalhadores entraram em greve por falta de propostas.
Segundo o presidente do Sindimetal, Roberto Sottomaior Karam, as negociações entre o sindicato patronal e dos trabalhadores já começaram e não haveria motivo para essa pressão. Ele lembrou que o sindicato patronal já concordou em antecipar um reajuste de 11% na campanha emergencial promotiva pelo Sindicato dos Metalúrgicos em junho deste ano. O que resta agora é completar o INPC, disse.
Sottomaior alegou que o ano de 2003 foi recessivo e que as empresas estão em dificuldades para dar reajustes reais. Ele alerta para o perigo de Curitiba ficar conhecida como região de instabilidade sindical e com isso inibir investimentos. Para Sottomaior, duas greves por ano no mesmo setor assusta fornecedores e clientes.


