Sete em cada dez consumidores gostariam de poder comprar energia elétrica no mercado livre e escolher qual geradora fornecerá a eletricidade que receberá em casa. O índice para ambas as demandas aumentou dos 66% em 2014 para 72% em 2015, conforme a 2ª Pesquisa de Opinião Pública sobre Energia Elétrica, encomendada pela Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) ao Ibope e divulgada ontem. O principal motivo é o preço cobrado pelo insumo, considerado caro ou muito caro por 88% dos brasileiros.
O mercado livre de energia pode ser acessado hoje apenas por empresas com carga de conexão superior a 500 quilowatts (kW), que abrem mão do suprimento pela concessionária local e fecham contratos de compra diretamente com produtores, de acordo com o preço e por período mínimo de um ano. Assim, é acessível apenas a grandes lojas de departamentos, shoppings ou indústrias a partir do porte médio.
De acordo com a pesquisa, apenas 9% acreditam que o valor das tarifas de energia em 2015 é justo e 1%, barato. Os mesmos indicadores estavam em 28% e 2% em 2014, respectivamente. O desconforto do consumidor do Ambiente de Contratação Regulada (ACR), que é o da maioria das unidades consumidoras e formado, principalmente, pelas residências, deve-se aos altos reajustes aplicados neste ano, diante da crise hídrica que elevou o uso da cara energia de termelétricas. No Paraná, Foram dois reajustes da Companhia Paranaense de Energia (Copel) em 2015, um de 36,8% em março e outro de 15,32% em junho, em média, para o ACR.
Ainda conforme a pesquisa da Abraceel, aumentou o percentual de pessoas que gostaria de gerar energia em casa (77% em 2014 e 89% em 2015) e de pessoas que mudariam de geradora pelo preço (57% para 64%) e pelo acesso a fontes limpas de eletricidade (11% para 16%). "O brasileiro em geral quer mais autonomia para gerir a sua conta de energia elétrica e acredita na força da competição como elemento indutor para a redução de preços", afirma o presidente da Abraceel, Reginaldo Medeiros, por meio de nota. "Provavelmente, a insatisfação com o aumento brutal das tarifas contribuiu", completa.
O diretor comercial da Prime Energy, Leonardo Granada Midea, empresa que faz a intermediação de compra de eletricidade, afirma que existem hoje impedimentos legais e técnicos para a compra de consumidores residenciais no mercado livre. "Mas já existe esse mercado na Europa, como em alguns países ibéricos onde as pessoas adquirem energia em bolsas (de negócios)", diz. Ele lembra que, como se trata de um mercado sofisticado, a população precisaria ser instruída sobre o processo.
Midea complementa que há hoje a exigência de um medidor no mercado livre, que custa cerca de R$ 30 mil, o que inviabilizaria o acesso a todos. Com a maior abrangência do sistema e inovações tecnológicas, porém, ele vê a ampliação da concorrência como possível e saudável.
Por outro lado, o presidente da Associação Brasileira de Fomento a Pequenas Centrais Hidrelétricas (ABRAPCH) e do Grupo Enercons, Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni, acredita que falta apenas vontade política. "A tarifa do consumidor pode cair e muito, graças à competitividade e à oportunidade de escolha, da mesma forma como com as operadoras de telefonia celular."
Pugnaloni até mesmo rejeita que existam impedimentos técnicos. "Só não é dado o acesso pelo interesse das distribuidoras em manter o público cativo. As distribuidoras têm poder grande sobre os órgãos reguladores pelo peso do faturamento", critica. Ele lembra que a ABRAPCH defende o direito de o consumidor escolher a geradora. "A energia da Copel Geradora vai hoje para 62 distribuidoras diferentes e a Copel Distribuidora compra a energia que o consumidor usa de várias geradoras. Isso já existe e o paranaense não é beneficiado."
A Copel foi procurada ontem, mas informou que os diretores que poderiam falar sobre o tema estavam em um seminário sobre sustentabilidade.

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