Servidores da Embrapa entram em greve
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Os servidores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciaram ontem um movimento de greve em todo o País. Os profissionais exigem reposição salarial acima da inflação anual e reformulação do Plano de Cargos e Carreiras. No último dia 12, os representantes do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) estiveram reunidos com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, para apresentar a situação. No dia 20, participaram de rodada de negociação com a diretoria executiva da Embrapa, mas não houve avanço.
De acordo com o presidente do Sinpaf, Vicente Almeida, o movimento espera receber um aumento de 10,10%, o que equivale a 5% acima do IPCA. Até o momento, a Embrapa oferece um reajuste de 5,10% para cobrir as perdas em relação à inflação anual. Segundo Almeida, 70% das unidades aderiram ao movimento e a estimativa é de que até amanhã a participação chegue a 85%. ''Estamos há vários meses em negociação e esperamos que, com a mobilização da categoria, a Embrapa cumpra com acordos anteriores'', salientou.
O Sinpaf apontou que, até o momento, 31 das 87 cláusulas apresentadas pelos trabalhadores foram completamente acordadas. Além disso, 20 cláusulas estão acordadas parcialmente e o total de cláusulas não acordadas chega a 35, somando os itens econômicos e sociais.
O movimento planeja para amanhã uma marcha até Brasília com a presença de servidores de várias unidades da Embrapa. O objetivo é conseguir uma reunião com o presidente do Conselho Administrativo da Embrapa, a Comissão de Negociação e representantes do Ministério Público do Trabalho. O presidente do Sinpaf lembrou que a vigência do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) se encerra no final do mês, pressionando para uma solução urgente do impasse. ''Ou a Embrapa prorroga o Acordo Coletivo, ou as negociações avançam até o fim da greve, ou podemos partir para radicalização do movimento'', esclareceu Almeida.
A expectativa do chefe geral da Embrapa Soja em exercício, Amélio Dall'Agnol, é de que a paralisação não dure até a próxima semana. ''É uma greve de alerta. Acredito que até o final dessa semana a diretoria da empresa entre em acordo com o comando de greve e os trabalhos sejam retomados'', avaliou. Apesar da maior parte dos servidores terem aderido ao movimento, Dall'Agnol lembra que as atividades críticas estão sendo mantidas. ''Não vamos perder estudos de campo ou de laboratório por falta de pessoal. Nesses casos, temos dado continuidade ao trabalho'', ressaltou.
Em nota oficial, a diretoria executiva da Embrapa afirmou que ''a greve não encontra amparo legal, uma vez que o ACT 2011-12 foi prorrogado até 30 de junho e as negociações estão em pleno curso''. Segundo o comunicado, a Embrapa propôs que a próxima rodada de negociação seja realizada no dia 29 e aguarda resposta do Sinpaf para definir a agenda. Em resposta a alegação do Sindicato, argumenta que ''não retroagiu em qualquer cláusula do acordo vigente, tendo sido acertado, durante as negociações, que algumas cláusulas seriam suspensas para rediscussão posterior''. Nas 47 unidades de pesquisa, a Embrapa possui um quadro de servidores composto por 9.750 empregados.



