Servidores apresentam alternativa para Iapar
Proposta é manter o instituto e a Emater independentes, criando uma agência executiva para integrar as duas estruturas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
Proposta é manter o instituto e a Emater independentes, criando uma agência executiva para integrar as duas estruturas
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Um grupo de servidores apresentou ao governo do Estado uma proposta alternativa para reorganizar os órgãos vinculados à Seab (Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento). Eles querem que o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) incorpore o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia) e que a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná) seja absorvida pela Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural). Para integrar o Iapar e a Emater, propõem a criação de uma agência executiva.
A proposta foi apresentada durante audiência pública realizada no Plenarinho da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), em Curitiba, nesta quarta-feira (9) pela Comissão da Agricultura da Casa. Apenas 7 dos 54 deputados estaduais foram ao local, mas o auditório estava lotado por servidores. Dia 12 de agosto, o governo do Estado enviou ao Legislativo o projeto de lei 594/2019, que determina a incorporação da Emater, do CPRA e da Codapar pelo Iapar e muda o nome do instituto que tem sede em Londrina para Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, com administração centralizada em Curitiba.
“O Iapar e o CPRA têm atribuições e serviços em comum. O centro foi criado dentro de uma unidade do Iapar e tem apenas quatro servidores próprios”, afirma o pesquisador do Iapar Dimas Soares Júnior, que fez a apresentação da proposta na audiência. “A Codapar, que faz manutenção de estradas rurais e é responsável pela logística da merenda escolar, fomenta o desenvolvimento e a extensão e está mais próxima da Emater", justifica ele.
Os servidores querem convencer os deputados a apresentar a proposta como substitutivo do projeto do governo do Estado.
O deputado estadual Tercílio Turini (Cidadania) diz que o Iapar é uma “joia” de Londrina e que é preciso preservar o instituto. “Ele foi responsável por transformar a agricultura paranaense e é uma marca para Londrina e região. Sempre quando vamos apresentar a cidade para alguém de fora, falamos da UEL, da Embrapa e do Iapar.”
Turini também se diz preocupado com a garantia de que as pesquisas feitas hoje pelo instituto tenham continuidade. Ele também ressalta que é preciso garantir a carreira dos servidores.
O projeto do governo prevê que os cargos dos atuais servidores dos quatro órgãos sejam extintos à medida que ficarem vagos. Um novo e único plano de carreira seria apresentado à Assembleia destinado aos servidores que entrarem no novo instituto. Já os servidores defendem que Iapar e Emater sejam mantidos autônomos juntos com as atuais carreiras, que são diferentes.
Presente à audiência, o secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, disse à FOLHA que a proposta dos servidores é “boa” e ressalvou: “Mas prefiro a minha”. Ele afirma que o governo está aberto à discussão e a receber contribuições que aperfeiçoem o projeto. Mas descarta voltar a debatê-lo fora da Assembleia. “Estamos com essa proposta desde o começo do ano. Já debatemos bastante com a população. Agora o processo é legislativo.”
Ortigara espera que haja um avanço na tramitação da proposta de modo que o projeto de lei possa ir ao Plenário até o fim do mês.
O governo estadual, que teve início em janeiro, não nomeou dirigentes para a Emater, a Codapar e o CPRA. Por enquanto, o presidente do Iapar, Natalino Avance, está respondendo por todos. “Há uma instabilidade administrativa desde o início do ano. Se não sair uma decisão rápida (aprovação do projeto), terei de nomear os diretores”, afirmou.
Um deputado da base do governo que faltou à audiência e preferiu não se identificar afirmou que dificilmente serão aceitas alterações significativas no projeto como propõem os servidores. “O governo consegue aprovar tudo o que quer.”


