Servidores ameaçam parar o terminal de contêineres
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
Vânia Casado 
Os servidores do Porto de Paranaguá se rebelaram ontem contra as operações de privatização do Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecom). Os sindicatos dos Arrumadores e dos Condutores de Contêineres de Paranaguá não concordaram com a queda nos preços dos serviços realizados e a reação contaminou os demais sindicatos da Intersindical - central que reúne dez sindicatos e envolve 8.000 trabalhadores do porto. Se não houver um acordo até hoje de manhã, os sindicatos prometem ocupar o terminal e impedir o início das operações.
O clima permaneceu tenso durante toda a tarde de ontem no terminal de contêineres, que não chegou a entrar em operação como estava previsto. A direção do consórcio Redram-Transbrasa, que privatizou o Tevecon, e representantes do Ministério do Trabalho estiveram reunidos à tarde, mas até as 19 horas não haviam chegado a uma conclusão. O presidente da Intersindical, Ademir Scomasson, disse que se não houvesse acordo, os trabalhadores não iriam permitir as operações de desembarque do primeiro navio que deveria atracar no terminal privatizado durante a madrugada de hoje.
Segundo Scomasson, o consórcio Redram-Transbrasa está oferecendo 10% do preço de tabela em vigor pelos serviços realizados. Com a proposta, os arrumadores, que ganham R$ 3,50 por contêiner, passariam a receber R$ 0,35. E os condutores de contêineres em veículos, que recebem R$ 33,00 por unidade movida, passariam a receber R$ 6,00. Os trabalhadores operam seis contêineres por hora e ganham entre R$ 700,00 e R$ 800,00 cada um. Com a redução no valor do serviço, não haverá serviço para todos e o desemprego será maciço em Paranaguá, com graves reflexos sociais e econômicos na cidade, prevê Scomasson.
Na verdade, o Tevecon quer operar com pessoal próprio oferecendo em contrapartida o vínculo empregatício, disse o sindicalista. Segundo a Intersindical, o consórcio Redram-Transbrasa já tinha 50 homens de plantão ontem para dar início às operações. Mas foi surpreendida pelo movimento sindical, que impediu o primeiro dia que o terminal iria operar com nova direção. Segundo Scomasson, os sindicatos que integram a Intersindical fazem o serviço de operações portuários há 70 anos e não estão dispostos a aceitar passivamente as demissões.


