Servidor tem maior nível de instrução
Servidor tem maior
nível de instrução
Categoria ganha em média 43% mais do que trabalhador privado
Agência Estado
Trabalhador do
setor privado
reduz diferenças nas
áreas metropolitanasO servidor público ganha, em média, 43% a mais do que o trabalhador da iniciativa privada. Mas essa disparidade salarial cai para menos de 10% quando a comparação leva em conta as mesmas características, como nível educacional, experiência, tempo no emprego e idade. O melhor grau de instrução dos funcionários públicos explica 70% dessa vantagem, que também é determinada pela maior experiência no mercado de trabalho e permanência mais prolongada no emprego.
Essa é a conclusão do estudo Uma análise do hiato salarial entre os setores público e privado, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em conjunto com o Banco Mundial (Bird) e Universidade Federal Fluminense (RJ).
A pesquisa mostra ainda que os servidores públicos poderiam elevar em mais 2% seus salários se estivessem especialmente distribuídos em todo o País da mesma forma que os empregados do setor privado. Há uma superconcentração de servidores públicos no Nordeste, Distrito Federal e Rio de Janeiro.
Arquivo Folha
Hiato salarialMailson da Nóbrega: Há gerentes em estatais ganhando a metade dos salários das empresas privadas
A diferença salarial entre os dois setores cai em todas as regiões metropolitanas - com exceção do Distrito Federal, onde reside uma parcela expressiva dos servidores públicos de alto escalão - quando computadas a escolaridade e o grau de experiência. Em condições semelhantes com um empregado em empresa privada, um servidor público no Recife ganha em média 8% a mais, bem abaixo dos 72% indicados na comparação com características diferentes.
No Distrito Federal, o servidor público ganha em média 107% a mais do que o trabalhador do setor privado, mas essa disparidade cai para 33% quando se leva em conta o grau de instrução, experiência, idade e tempo no emprego, explica a economista Rosane Mendonça, uma das autoras da pesquisa.
Em alguns casos essa situação se reverte e os trabalhadores do setor privado ganham mais. É o caso das regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, onde os servidores públicos têm uma desvantagem salarial de 4%, 5% e 29%, respectivamente, disse a pesquisadora.
Na opinião do ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, é um mito imaginar que o setor público remunera melhor que o setor privado. Um gestor de fundos do Banco do Brasil, que recebe cerca de R$ 80 mil anuais, ganharia no mínimo cinco vezes mais num banco privado para gerir o mesmo volume de recursos, exemplifica. Segundo Mailson, existem profissionais em níveis de gerência e assessoria nas estatais ganhando até metade dos salários pagos a funções equivalentes nas empresas privadas.
O estudo mostra ainda que há uma diferença salarial relevante no interior do setor público. No topo estão os salários dos servidores federais. No Rio de Janeiro, enquanto os estatutários da União ganham 26% acima de um empregado no setor privado com características semelhantes, o salário de um funcionário público estadual está até 13% abaixo.
A desvantagem ainda é mais profunda para o estatutário municipal, que está com sua remuneração 35% menor que o trabalhador da iniciativa privada. Já o militar residente no Rio de janeiro aparece com uma vantagem de 5%. Os dados foram construídos com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 1995.





