Rio de Janeiro - Com o consumo das famílias em queda por causa da crise econômica, a inflação de serviços desacelerou em março pelo quarto mês consecutivo e chegou ao menor patamar em mais de cinco anos. Conforme dados divulgados pelo IBGE ontem, os serviços acumularam uma alta de 7,49% nos últimos 12 meses, abaixo da registrada em fevereiro (7,86%) e do pico de 8,54% de julho do ano passado. Trata-se da taxa mais baixa apurada desde novembro de 2010 (7,36%), segundo cálculos da consultoria Tendências.
Márcio Milan, economista da Tendências, disse que a desaceleração dos preços dos serviços ocorre na esteira da piora da renda dos trabalhadores desde o ano passado, uma das faces mais cruéis da crise. "A renda começou a piorar sobretudo a partir do segundo semestre do ano passado. Isso está gerando a menor demanda por serviços que, consequentemente, acabam evitando aumentar seus preços", avaliou Milan. Foi na esteira do aumento da renda do brasileiro na última década que serviços como refeições fora de casa, aluguéis e escolas ficaram mais caros e se tornaram um dos grandes vilões da inflação.
Com a crise, a desaceleração desses preços era esperada por economistas desde o ano passado, mas o setor vinha se mostrando resistente. Um dos motivos era a pressão de custos sobre o setor no País. "Como houve forte aumento da tarifa de energia em 2015, isso precisou ser repassado ao consumidor. Mas, agora, essa desaceleração deve continuar pela frente nos próximos meses", afirmou. Pelas projeções da consultoria Tendências, os preços dos serviços devem fechar o ano com aumento médio de 7,2%. Após a divulgação do IPCA ontem, a consultoria avalia revisar o número para baixo.
Eulina Nunes, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, disse que a desaceleração dos preços ainda não está espalhada pela economia, mas pode ser identificada em diversos itens. Seria o caso, por exemplo, da alimentação fora de casa (restaurantes, lanchonetes). Os preços desse serviço aumentaram 0,55% em março, bem abaixo dos preços dos alimentos (1,24%). (B.V.B./Folhapress)

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