Serviços sustentam emprego em Londrina em mês de retração nos demais setores
Dados do Novo Caged de maio revelam recuperação frente ao mês anterior, mas saldo aponta forte dependência do setor de serviços e desempenho muito abaixo do ano passado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de junho de 2026
Dados do Novo Caged de maio revelam recuperação frente ao mês anterior, mas saldo aponta forte dependência do setor de serviços e desempenho muito abaixo do ano passado

O mercado de trabalho formal em Londrina apresentou um saldo positivo no mês de maio de 2026, impulsionado exclusivamente pela força do setor de serviços. De acordo com os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados no início da tarde desta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a cidade registrou a criação de 409 novas vagas com carteira assinada. O resultado é o balanço entre as 9.220 admissões e os 8.811 desligamentos efetuados ao longo do período.
O desempenho atual indica uma sutil recuperação quando comparado ao mês de abril, momento em que o município havia contabilizado a abertura de apenas 294 postos de trabalho. Por outro lado, o patamar alcançado em maio ainda sinaliza perda de fôlego na atividade econômica local, ficando abaixo das 525 vagas computadas em março e substancialmente distante do resultado registrado em maio do ano passado, quando Londrina viveu um momento de forte expansão com a geração de 1.218 empregos formais.
A análise detalhada do panorama econômico revela uma severa dependência de uma única atividade, uma vez que o setor de serviços foi o grande e isolado responsável por manter o saldo municipal no terreno positivo. Com a criação de 625 vagas no mês, o segmento consolidou sua posição como o motor da empregabilidade local, mantendo uma sequência resiliente de crescimento ao registrar índices favoráveis em todos os meses de 2026.
Em contrapartida, as demais áreas econômicas de Londrina enfrentaram um período de retração generalizada e fecharam as portas para a mão de obra formal. A construção civil amargou o seu primeiro resultado negativo do ano ao encerrar o mês com a perda de 122 postos de trabalho. O comércio também contribuiu para a desaceleração geral com um saldo negativo de 77 vagas, prolongando uma tendência de forte instabilidade na qual vem se alternando constantemente entre meses de contratação e demissão desde o início de janeiro.
O cenário de perdas se estendeu para as atividades produtivas de base. A agropecuária registrou a perda de 15 postos formais, configurando o terceiro mês consecutivo de retração na cidade. Já a indústria exibiu uma sutil variação negativa de duas vagas, um número que, embora indique estabilidade, reforça o momento delicado do setor fabril londrinense, que acumulou desempenho negativo em quase todos os meses deste ano, com exceção pontual observada em abril.
Cenário parecido no Paraná
O mercado de trabalho no Paraná seguiu a tendência de Londrina e registrou uma sutil reação em maio de 2026 na comparação com o mês anterior. O estado alcançou um saldo positivo de 2.210 vagas formais, superando os 1.734 postos de trabalho abertos em abril. O resultado é o balanço entre 165.500 admissões e 163.290 desligamentos realizados no período.
A exemplo do cenário municipal, o setor de serviços foi o principal motor da empregabilidade paranaense no mês, com a criação de 2.616 novas vagas. A indústria e a construção civil também fecharam o período no azul, registrando a abertura de 710 e 296 postos de trabalho, respectivamente. Por outro lado, a agropecuária e o comércio exerceram pressão negativa sobre o índice estadual, encerrando maio com a perda de 738 e 674 vagas de emprego, respectivamente.
Brasil tem pior maio desde 2020
O Brasil abriu 72.960 vagas de trabalho formal em maio de 2026, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo é o resultado de 2,2 milhões de admissões contra 2,1 milhões de desligamentos, consolidando-se como o menor resultado mensal do ano, abaixo das 79.526 vagas criadas em abril. O índice também representa o pior desempenho para um mês de maio desde 2020, período da pandemia da Covid-19, e uma redução em relação a maio de 2025, quando foram criados 153.108 postos.
No acumulado de janeiro a maio, o país soma 767.326 empregos gerados, o menor patamar para os primeiros cinco meses do ano desde 2020. Em relação aos setores da economia, todos os cinco grandes grupos registraram saldo positivo no mês. O setor de serviços liderou com 45.655 postos, seguido pela construção (12.096), agropecuária (10.205), indústria (4.974) e, por fim, o comércio, que fechou o período com a criação de 40 vagas.


Celso Felizardo
Editor com foco em conteúdo e planejamento.


