Serviços retraem 4,8% no PR, uma das maiores quedas do País
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quinta-feira, 15 de outubro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
Com recuo de 4,4% em agosto, o setor de serviços do Paraná acumula uma retração de 4,8% no ano, bem mais expressiva que a média nacional (-2,6%). Trata-se do pior índice entre os sete estados do Sul e Sudeste. Em situação mais desfavorável estão estados menos desenvolvidos: Maranhão, Amapá, Mato Grosso, Amazonas, Roraima, Acre, Sergipe e Goiás. Já o Piauí e a Paraíba empatam com o Paraná. Os dados sobre o setor de serviços referentes ao mês de agosto foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Tanto no País como no Paraná, o segmento que mais teve retração, no acumulado do ano, foi o de "outros serviços", que compreende atividades como limpeza urbana e esgoto, serviços auxiliares da agricultura, recreativos, pessoais e desportivos. Na média nacional, esse grupo recuou 8,2% e, no Paraná, 9,2%.
Depois vem o de "transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio". O IBGE inclui neste grupo: transporte terrestre, transporte aquaviário, transporte aéreo, armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio. No Estado, o recuo foi de 8,2% e, no País, de 5,6%, no período de janeiro a agosto. Em terceiro lugar, está o grupo chamado "Serviços prestados às famílias" (alojamento, alimentação e outros). A retração foi de 4,8% tanto no Paraná como na média brasileira.
Os "Serviços profissionais, administrativos e complementares" recuaram 2,4% no País e 1% no Estado. Já "Serviços de informação e comunicação" tiveram retração de 1,8% no Paraná. Na média nacional esse grupo cresceu 1,2%. Neste último grupo estão atividades como serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias.
Para o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, é muito difícil comparar o desempenho do setor de serviços entre estados porque os grupos não são muito bem definidos pelo IBGE. "Neste caso, temos uma dificuldade maior de fazer a análise, de dizer por que os serviços caíram mais Paraná. Quando analisamos a indústria é mais fácil porque os grupos são mais bem definidos", declara.
Mesmo assim, ele arrisca dizer que a atividade de serviços vai continuar caindo no País e no Estado. "Enquanto o Brasil não resolver os problemas macroeconômicos, vamos continuar com esses resultados", aposta.
Para o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, Roberto da Cruz Saldanha, o Paraná acompanha a tendência nacional de desaquecimento do setor desde o segundo semestre de 2014, passando a apresentar resultados negativos a partir de janeiro deste ano. "Um dos setores que mais afetam o Paraná é o de transporte de carga, muito expressivo no Estado, e que vem retraindo bastante. Outro são os serviços prestados por empresas, como limpeza e vigilância", afirma.
De acordo com ele, também caíram bastante os serviços contratados pela administração pública, devido a restrições orçamentárias.


