Serviços públicos sobem mais que inflação
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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo segundo mês consecutivo, o reajuste dos preços administrados por contrato ou monitorados pelo governo foi superior à inflação. Em agosto, a variação foi de 0,46%, tendo, novamente, os combustíveis como principais responsáveis pelo aumento. Segundo dados divulgados, ontem, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em parceria com o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), a gasolina teve alta de 1,66% e o álcool 1,30%. Em julho, os reajustes haviam sido de 7,26% e 13,10%, respectivamente.
O que ajudou a segurar a alta nas tarifas públicas foi o recuo do seguro apagão (-29,32), que acabou contribuindo para queda de 0,26% na tarifa de energia elétrica, além da redução de 1,19% no preço do gás de cozinha. Outros itens da cesta de serviços públicos que tiveram variações positivas foram o diesel (0,16%), a assinatura e pulso telefônico (0,44%) e o transporte coletivo (0,83%), considerando que o impacto da tarifa reduzida aos domingos foi menor no mês de agosto.
As projeções para este mês não são animadoras. Com o reajuste de 10% autorizado pela Petrobras para as refinarias, na última sexta-feira, o impacto do preço da gasolina, em setembro, deverá provocar uma elevação de 1,51% nos preços administrados e monitorados.
Segundo cálculo do Dieese, o aumento da gasolina para o consumidor será de 8%, em setembro. ''Desde que a margem de lucro dos postos se mantenha. Se houver aumento de margem, o reajuste poderá chegar a 13%'', alertou o coordenador do escritório regional do Dieese, Cid Cordeiro. A margem de lucro, segundo ele, subiu de 12,80%, em julho, para 14,12%, em agosto.
Na primeira semana de setembro, o preço médio da gasolina nos postos de Curitiba e região metropolitana era de R$ 2,199. A partir do último sábado, a maioria dos estabelecimentos já havia aumentado para R$ 2,399. ''O que irá determinar o aumento da gasolina será o comportamento da margem de lucro dos postos'', reforçou Cordeiro. O impacto desse aumento na inflação de setembro pode ser de 0,36%.
Passada a turbulência de setembro, o cenário até o final do ano para os serviços públicos é bom, adiantou o economista. Ele estima que o impacto no orçamento doméstico será bem menor, já que o principal indexador das tarifas públicas o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) , até junho de 2006, não deve ser maior que 2,5%. Ainda estão previstos reajustes nas tarifas de pedágio e de água e esgoto, que acontecem em dezembro.
Petrobras O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, descartou ontem a possibilidade de novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel, enquanto as cotações internacionais do petróleo se mantiverem nos níveis atuais. Segundo ele, após os aumentos anunciados na sexta-feira, o preço dos produtos foi equiparado a um petróleo ''entre US$ 60 e US$ 70'' por barril.


